terça-feira, 27 de setembro de 2011

Palestina quem apoia




Mundo civilizado a verde, as bestas a cinzento

domingo, 25 de setembro de 2011

Memórias

 Memórias são uma espécie de mesa de café onde nos sentamos e observamos a paisagem interior. Afloramentos de matéria vivida, muita dela densa que se apresenta em cocktail gourmet ou em farrapos diluídos de consistência variada. A voz decanta as memórias em filtros de grão variável e o que escorre é metal purificado. Assim não é quando o filtro é tela e as memórias que nela se depositam são pedaços de matérias estéticas, incontroláveis solilóquios, rasgões de alma, gestos fortes ou tinta diluída em lágrimas.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Rumí 5

We rarely hear the inward music, 
 but we’re all dancing to it nevertheless.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Rap

Ganda presidente, silva fixe man, repa no jardim outro cota baril, rap estéril na onda do Atlântico, curte o buraco outra forma de dizer que gosta de kuduro e maria não sabe, silva ya na onda dos coelhos das toca, dos submarino, relvado imenso a inundar a pista. silva ya man segue em frente, o povo não está contigo mas é como se estivesse silva man até que um dia o rossio a rebentar na onda da dança e o povo preto de cansaço vai te pintar de colorido e o próprio FMI vai começar a pagar 14º mês, silva man vai nessa no jardim, na toca, na relva no futebol coca do povo, snifa silva man enquanto nós dança a dança da morte, no sossego da finança, na paz dos banco na trivitória d’Eurobond bande de prazer na brancura d'angela, passo a passo até às portas do oceano de se afogar, mesmo.

Rumí 4

 A night full of talking that hurts, 
 my worst held-back secrets. 
 Everything has to do with loving and not loving. 
 This night will pass. 
 Then we have work to do.

sábado, 10 de setembro de 2011

Rumí 3

Come to the orchard in Spring.
There is light and wine, and sweethearts in the pomegranate flowers.
If you do not come, these do not matter.
If you do come, these do not matter.

Rumí 2

 When the ocean surges, 
 don’t let me just hear it. 
 Let it splash inside my chest!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Rumí 1


"Dance, when you’re broken open.

Dance, if you’ve torn the bandage off.

Dance in the middle of the fighting.

Dance in your blood.

Dance, when you’re perfectly free."
 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Poema de Nizar Qabbani a propósito da Síria









A Lesson In Drawing





















My son places his paint box in front of me
and asks me to draw a bird for him.
Into the color gray I dip the brush
and draw a square with locks and bars.
Astonishment fills his eyes:
'… But this is a prison, Father,
Don't you know, how to draw a bird?'
And I tell him: 'Son, forgive me.
I've forgotten the shapes of birds.'

My son puts the drawing book in front of me
and asks me to draw a wheatstalk.
I hold the pen
and draw a gun.
My son mocks my ignorance,
demanding,
'Don't you know, Father, the difference between a
wheatstalk and a gun?'
I tell him, 'Son,
once I used to know the shapes of wheatstalks
the shape of the loaf
the shape of the rose
But in this hardened time
the trees of the forest have joined
the militia men
and the rose wears dull fatigues
In this time of armed wheatstalks
armed birds
armed culture
and armed religion
you can't buy a loaf
without finding a gun inside
you can't pluck a rose in the field
without its raising its thorns in your face
you can't buy a book
that doesn't explode between your fingers.'

My son sits at the edge of my bed
and asks me to recite a poem,
A tear falls from my eyes onto the pillow.
My son licks it up, astonished, saying:
'But this is a tear, father, not a poem!'
And I tell him:
'When you grow up, my son,
and read the diwan of Arabic poetry
you'll discover that the word and the tear are twins and the Arabic poem is no more than a tear wept by writing fingers.'

My son lays down his pens, his crayon box in front of me and asks me to draw a homeland for him.
The brush trembles in my hands
and I sink, weeping. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Mediterrâneo


Do Mediterrâneo dizem que é mar interior, sopa da nossa cultura, cenário de barcos incendiados, tesouros afundados, experiências científicas, cadinho de línguas. Neste lago euro-afro-asiático cavalgaram califas e cruzados.
O sangue pingou das cimitarras e tantas cabeças infiéis rolaram na construção dos templos. Fogueiras de fé incendiaram o Cosmos e a Terra ficou estática à roda do Sol. Santos ofícios e santos óleos ungiram a utopia e escorreram pelos telescópios precários empapando as margens. Pés na água, muitos contemplaram despedidas de astrolábio. A álgebra atravessou o deserto nas infindáveis caravanas. Comércio e contas, contos à noite no crescente. De um lado crepitam escorpiões na areia. Na outra margem moinhos imaginários escrevem no céu das letras. O Mediterrâneo assistiu à queda de impérios. O Mediterrâneo assiste à queda de novos impérios.
As novas Bagdade, as novas Damasco, cidades douradas da margem Norte, atraem e afogam, pelo caminho, os filhos do Sul. Este grande rio do Mundo está povoado de semelhantes e de iguais que se entreolham em cada margem. A oliveira do Norte estende os braços para a sua irmã plantada num pátio que cheira a jasmim e de onde se ouvem os tambores de água. Derviches dançam numa Constantinopla de pé até que o Sol se ponha no estreito de Gibraltar. O chá fumega na tenda berbere indiferente às taxas de juro e o kefir atravessa a água para descansar numa prateleira colorida de grande superfície. Cheira a laranjas neste mar. Em Gaza come-se mal e os tanques na Síria esmagam impiedosamente todas as revoltas, todas as utopias, todos os prazeres. Estrangeiros continuam a ocupar Bagdade onde já não canta Om Kolthom. Os barcos afundados deste rio-mar perderam a voz e são incapazes de reconstituir as histórias de vida e do mundo que nos atravessaram. As que nos lembramos, temos tendência a esquecer rapidamente e a substituir por histórias de frio e neve, auroras boreais de Europa, ausência de especiarias. Voltámos as costas ao mar que nos viu nascer, tememos o véu e o hijab, o nossos muezins moram em Berlim e Washington mas, apesar de escreverem da esquerda para a direita, temos dificuldade em entendê-los.  Voltámos as costas ao mar que nos viu nascer e queremos, à força, ser outra coisa, outra natureza e, deste modo, infelizes e aculturados, somos como um emigrante interior perdido dentro da sua natureza ausente. Procuramos referências nos modelos culturais anglo-saxónicos mas nem a nossa cabeça, nem a nossa pouca racionalidade se adequam a estas práticas socioculturais. Achamos que estes desajustamentos são produto de uma jovem e imatura democracia porque nos recusamos a ver mais além, mais fundo, mais próximo da margem do nosso mar. Não nos importa sermos tão parecidos com os gregos, com argelinos ou turcos, não reflectimos que gostamos de coisas muito parecidas, de paladares comuns. Nem pensamos como é possível estarmos noites a conversar mesmo não falando as mesmas línguas, noites de água luar onde o crescente é, apenas, uma fase da Lua. Agora olhamos os nossos vizinhos como os outros, aqueles que nos vêm tirar o trabalho, aqueles, os terroristas, os novos infiéis, impuros e sujos. Apoiámos a “revolução” árabe, de longe é certo mas apoiámos. Aprendemos novos nomes de ditadores e de libertadores, nomes de pronúncia difícil mas que fixámos e reproduzimos no café com os amigos e demos opiniões fortes e decisivas sobre a “revolução” árabe. Vimos Rossios no Cairo e em Damasco e sorrimos com um sorriso fraterno. Falta-nos a música que é o esperanto deste Mediterrâneo. Oiçamo-la tocar.
texto publicado no DN

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Política

Acabou o ciclo da Política. Lentamente, mas com a determinação própria da ambição, instalou-se uma cultura, um modo de pensar, uma atitude institucional e uma visão apolíticas. O jogo social desenrola-se no combate real entre consumidores, clientes, credores, devedores, bancos, dinheiro tóxico, bolhas, empresas, privatizações, ratings e por aí fora. Já não há pessoas, nem governo de pessoas para as pessoas, já não há lideres mas funcionários, comissários ou secretários. O Poder deposita os seus capitães em caixas blindadas, perpetuando o pensamento liberal, a Oposição segura-se ordeiramente. O Debate será, evidentemente, civilizado, em tom aveludado de clube inglês, os sapatos engraxados e a compostura desempoeirada e blasé. Acabou a Politica tal como a conhecemos durante décadas. O que a vem substituir cheira a água de colónia, de marca é certo mas, apesar de tudo colónia. Esperaria um perfume mais intenso mas, os empregados do estado, fornecem-se todos nos mesmos free shops. Quanto aqueles que ainda têm a veleidade de querer escrever sobre as pessoas reais, resta-lhes a fome em África e as barragens da Amazónia. Sei que somos bloguistas do Mundo mas será isto vida?

domingo, 10 de julho de 2011

Haja saúde


Gostaria de propor uma petição para que Cavaco Silva, Guilherme Silva, Herman Van Rompuy, Manuela Ferreira Leite e outros, pudessem frequentar os serviços de um osteopata (despesas não cobertas pelo plano nacional de saúde). Tinha esta petição por objectivo, endireitar a coluna a esta gente que deve sofrer imenso de espinhela caída e as dores, só devem ser comparáveis, aquelas causadas pelo murro recebido no estômago pelo nosso actual primeiro. Haja saúde!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Agora


Agora que os demónios se reergueram e, debaixo dos granitos, lacraus apressados e espectrais carregam a fundura dos preconceitos; agora que regressou a compostura, o direitismo, a atitude recatada e cinzenta, a benzedura opinativa e santificada; agora que nem o capital se sustém a si próprio precisando do financiamento dos pobres; agora que os ministros que foram verdadeiros terroristas verbais se exprimem com a contenção de verdadeiros euro-estadistas; agora que a cultura ficou na mão dos funcionários da cultura, agora, importa não confundir programa “técnico” da troika internacional com a ideologia da nossa troika. PSD, CDS e PR, sempre disseram que queriam ir mais além e vão. Direi que os Gregos vão ver-se portugueses para cumprir o programa de austeridade. Portugal vai ser modelo exemplar e referencial de como enriquecer o défice, pauperizando os pobres e o país. Coelho será abundantemente citado pelo seu amigo Barroso em várias reuniões de alto nível a bordo de elegantes iates gregos em fins de tardes brancas e mediterrânicas. Esta maioria, este Governo e este Presidente estão para ficar. As pedras estão levantadas.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Igrejas

Chateia-me bater em mortos mas não resisto em dar uns safanões ao Louçã. Desenvolve agora o argumento de que se tivesse ido à reunião da Troika a votação teria sido diferente. Apontar este facto como causador do resultado eleitoral do Bloco é mesmo esconder o sol com a peneira. É uma bela maneira de disfarçar a total ausência de uma estratégia adequada à situação política vigente. É ocultar o facto de que a prática política do Bloco foi objectivamente de direita, serviu os interesses da direita. Através de inflamados sermões lá foram Louçã e os seus cientistas sociais, enchendo de vazio o espaço político-social não entendendo nada do mundo nem das gentes. É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma. No Bloco nem isso tal é a consistência e a densidade do dogma. Oremos meus irmãos!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Recreações

Quem aprende com os erros, nunca se demite senão deixa de aprender e de beneficiar da grande vantagem que é a chamada formação ao longo da vida. Quem nunca se demite não consegue mesmo aprender com os erros porque cega na visão transversal dos problemas e, com o cérebro confuso com a ausência de outras direcções do olhar, inventa pedagogias que, ao longo da vida, acabarão por cristalizar o pensamento. Por outro lado, reconheçamos a total limpidez de alguns cristais mas, igualmente, a sua total e eterna imutabilidade.
Ser imutável e constante é próprio dos políticos com craveira e com princípios bem adquiridos e sólidos, temperados no fragor das lutas ou, talvez, dos políticos estúpidos de vasto e malcheiroso umbigo.
Quem se absteve, na voz do PR, perdeu o direito à palavra, à critica, à manifestação de qualquer desacordo. Passou a ser um cidadão de segunda, um abstinente ... um abstémio encartado. O PR deveria mesmo abster-se de tão anticonstitucional interpretação da constituição. Os cidadãos portugueses perdoar-lhe-iam tal abstenção, não lhe cortariam os direitos políticos, não o condenariam ao degredo, nem sequer lhe sugeririam que se demitisse.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Pepinos

 Gosto da frau Merkl, é a minha senhoria. Temos, eu e uns tantos portugueses, esta casa alugada na Europa. A Europa é um bairro fino e, assim sendo, as rendas são caras. A minha senhoria ficou com diarreia por causa de supostos pepinos espanhóis. Os espanhóis também têm casa alugada na Europa, tão cara como a nossa, mas eles ainda conseguem pagar porque, entre outras coisas, vendem pepinos à frau Merkl. Uma solução para o nosso problema de pagamento da renda no fim do mês seria, vender à frau Merkl tisanas de salgueirinha que parece ser muito bom para os desarranjos provocados, supostamente, pelos pepinos.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Sobre abstenção ou voto branco.


São coisas diferentes: a abstenção pode ser uma ida à praia ou a outro lado qualquer, uma preguiça súbita, uma ressaca. Não tem valor de afirmação porque se dilui nela própria. O voto branco, pelo contrário, é afirmativo é uma atitude política. Significa não se querer ver representado por nenhum dos intervenientes nestas eleições. Não se querer ver representado pela mediocridade, pelo oportunismo, pelo clientelismo, pela alucinação dogmática, pela cassete. Quando alguns afirmam que estes votos só vão beneficiar os partidos/troika, esses, que vão votar BE ou PC, estão numa verdadeira atitude religiosa de afirmação de pureza e de não contaminação pelo poder. Uma coisa até bem estudada por alguns antropólogos. Esses que vestem de branco e tanto criticam os votos brancos, abalançam-se, deste modo, ao poder. Mas o poder deles seria impoluto, puro, inócuo, desinfectado. Muitos deles até votaram com uma grande nobreza nas últimas eleições, nobreza que deu vómito. Eu vou votar branco para não ter que tomar, depois, bicarbonato.

domingo, 29 de maio de 2011

Democracia

A ideóloga do PSD falou! O jovem aprendiz, de olhos brilhantes aquiesceu. Portugal está mais claro.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Standing comedy

Seria injusto não reconhecer a criatividade, alguma dela produzida em horas extraordinárias, dos intervenientes das várias campanhas eleitorais. Não lhes chamo políticos porque não estão a fazer política, mas ainda não encontrei uma designação adequada para caracterizar a atitude e o desempenho profissionais, desta tecnocracia do entretenimento social. Injusto, repito, não ver na convocação de personagens históricas mais ou menos contemporâneas, um talento argumentista e televisivo que poderá ser uma vantagem em caso de desemprego temporário. Injusto não reconhecer nos eufemismos e nas várias figuras gramaticais utilizadas nestas aventuras, um contributo maior para currículos menores e anémicos. Injusto ainda não considerar que a repetição de mantras sobre os temas mais conhecidos, constitui um poderoso mobilizador para uma purificação cármica. Mas, apesar de tudo e reconhecendo o valor intrínseco e sempre igual destes entertainers, sugeria, até para a salvaguarda da sua saúde física e originalidade, que estas campanhas/comício/shows/standing comedies/etc., durassem apenas 3 dias. Que se faça uma alteração constitucional se for preciso. Aliás sugiro mais: que estas actividades fiquem na alçada da Direcção Geral dos Espectáculos e sejam objecto de classificação etária.

domingo, 22 de maio de 2011

Aeroportos

Hoje aterrou um outro avião em Beja vindo de Londres. Ontem por avaria do meu, tentei alugar um carro em Beja. Sábado, depois do meio dia, alugar um carro em Beja … só em Faro. Ok, o táxi pago pela companhia de seguros, levou-me a Faro à zona das várias empresas alugadoras de automóveis, no aeroporto.. Aqui começa o filme: para alugar um carro é preciso um cartão de crédito. Não me faço acompanhar habitualmente desse objecto e a situação complicou-se. Tentativa de, via Lisboa, alguém que reservasse na empresa de aluguer, com cartão de crédito, um carro. Possível mas, ainda mais complexo, o balcão onde estava teria que obter uma prova física do dito cartão, fax, ficheiro digital. Não sendo isto possível porque nem toda a gente tem em casa escritórios electrónicos, tornou-se critico conseguir efectuar o aluguer. Acresce que alugar um carro num sítio e entregá-lo noutro tem um acréscimo de 70 euros, como se a frota não circulasse e os fluxos naturais de clientes não equilibrassem a frota nos diversos locais. Alugar no aeroporto custa mais 30 euros do que na cidade. Estas condições são verdadeiros roubos legais. Tudo isto aliado à falta de educação do chefe de balcão fizeram-me regressar a Lisboa de camioneta. Esqueci-me de dizer que eu ia para Mértola!

domingo, 8 de maio de 2011

À rasca

Agora quem está a ficar à rasca sou eu: no passaporte vou escrever nacionalidade: troiquiana; tudo empolgado com um vídeo supostamente para finlandeses mas que é mais para afagar o ego nacional com aquelas cenas do "demos novos mundos ao mundo"; dois clubes portugueses numa final europeia; um facto histórico que é o PSD apresentar, finalmente, um programa; um presidente do estilo: eu que até sei...não volto a avisar; só falta de facto a brilhantina dos homens da luta ganhar a Eurovisão. Viva Portugal!