segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Morte de uma língua velha de 70 000 anos

Com a morte do último falante de Bo uma língua das Ilhas Andaman, Índia, desaparece igualmente esta língua velha de 70 000 anos. É a confirmação do relatório da Unesco que alerta para o risco de desaparecimento de 2500 línguas.

Exercício corporal

"Há aqui uma história de mãos. Trata-se dos terríveis trabalhadores rimbaldianos que trabalham o pesadelo. Têm o primeiro dia da sua criação, e nele colocam uma negra rosa de ferro. Têm o segundo dia, e há a explosão de um minério obscuro, ainda que ardente. No terceiro dia da sua tenebrosa tarefa, eles levantam do abismo um peixe desaforado. E no quarto dia, no quinto, e no sexto dia da sua atormentada criação, vão martelando com uma paciência cruel as demoníacas máquinas do sonho. E no sétimo dia eles contemplam a sua obra, e não sentem contentamento. O sétimo dia está cheio, desde o fundo, daquele feroz martelar, que é o martelar do coração sombrio onde o sangue é violento. Sai-lhes das mãos uma geometria difícil que não dá paz. E então, porque o tempo de expor o exemplo inquietante não se pode esgotar, os horríveis trabalhadores inventam o oitavo dia, que é como a eternidade. O espírito de Deus não se move sobre as águas. Este oitavo dia da criação é um espaço ilimitado de trevas onde um pássaro voraz abre as asas inesgotáveis. E então a gente sabe que a alegria e a beleza são coisas dolorosas."
Herberto Helder, exercício corporal I in Poesia Toda

quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Uma verdadeira Gandhiana

A história extraordinária de Irom Sharmila

terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Com tensão

Senhor Governador do Banco de Portugal dê o exemplo das fortes medidas de contenção que apregoa e institua-se a si próprio e aos seus pares, um pequeno imposto indirecto que consistiria, por exemplo, num corte anual dos vossos salários em 30%. Sabemos que não é isso que vai reduzir o défice mas seria um pequeno exemplo de moral e de higiene política. Além do mais os salários dos altos quadros do Banco de Portugal ficariam mais equiparados aos dos congéneres mundiais.

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Laços

sábado, 30 de Janeiro de 2010

Trocas

quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

Do portanto ao naturalmente

Há uns anos a muleta preferida na linguagem dos portugueses era o portanto, bela e assertiva preposição. Dava força à linguagem militante e era, em si própria, conclusiva, portanto, apontava o caminho. Mesmo nos discursos inconclusivos ela concluía, imperial. Hoje, naturalmente, as coisas mudaram. Surgiu naturalmente, o naturalmente. Advérbio inter-classista, ele é emitido, naturalmente, por políticos, deputados, taxistas, politólogos, comentadores vários, treinadores, electricistas, novos ricos, entre outros. Culturalmente é importante esta identificação à volta de um advérbio tipo selecção nacional e podemos dizer que, naturalmente, é mais importante aquilo que nos une do que aquilo que nos divide. Além do mais na sua raiz está o substantivo natural, substantivo naturalmente ecológico e, por enquanto, sustentável. Direi que naturalmente é o avatar dos advérbios, portanto, um advérbio verde, com preocupações ambientais, pleno de potencialidades e de futuro. Longa vida, portanto, ao naturalmente.