quinta-feira, 25 de abril de 2013

25

Ele há homens sem vergonha. Há pessoas sem ética. Até há quem julgue que o cargo que ocupa está acima de qualquer suspeita. Há quem não distinga missão de opinião. Há mesmo quem não esteja acima de qualquer suspeita.
Há quem não se eleve acima do ar da manhã e vomite, aos microfones da democracia, frases decalcadas do dia anterior. Há quem não saiba o que diz, sabendo-o. Há quem envergonhe muita gente. Há quem trabalhe demasiadas horas por dia e canse o País. Há presidentes que nem deviam ser vogais de uma colectividade de bairro. Há quem abuse do poder e ache que equidistância é o que nos separa dos cavalos. Há cavacos e cavacos!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Desaprender a liberdade

Dizem-nos que estamos a desaprender a liberdade.
Está a correr no PS, veja-se a opinião de algumas gradas figuras, uma opinião de crítica, por anti-democráticas, às manifestações grandolenses contra o primeiro ministro e alguns ministros. Acham, estas personalidades, que não é democrático não deixar falar o ministro Relvas no palco privilegiado da democracia que são as Universidades. O que quer o PS ? Que fiquemos todos calados até novas eleições ? Que sigamos Ulrich e aguentemos cara alegre ou só nos manifestemos nos « palcos » da democracia ? Quer o PS um povo institucionalizado como os seus funcionários e maioria dos dirigentes ? Quer o PS que nada aconteça a não ser as manifestações de escribas à Troika ? Acha o PS que a indignação não é democrática porque não é bem comportada ? O que se antevê é que se o PS tomar o Poder em 2015 haverá vários “incontestáveis ministros Relvas” que não poderão ser vaiados sob risco de prisão. Pelo caminho que as coisas estão a tomar, temos que acelerar o processo de "desaprendizagem" da liberdade.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Cafreal

 Transar o mercado de Mapussá, comprar caju, talvez cardamomo ou pimenta, canela ou jaca. Cheirar o cânhamo e o camarão do Mar Arábico a saltar para dentro do chacuti. Levar Dodol para comer à noite quando a neblina se instalar sobre o Mandovi. Percorrer Pangin à procura da tia-bisavó no Bairro das Fontaínhas, ouvir uma Avé-Maria em Concanin e reviver a glória bafienta do Império nas conversas dos Noronhas e dos Albuquerques, à mesa de teca com vindalho e cafreal. Beber um Feni e comer uma chamussa antes que chegue o ferry. Em Velha Goa, velhíssimas relíquias de velhíssimos santos, Xavier à cabeça, recordam-nos as barbas dos “ferenguis” que aqui chegaram...alguns ficaram. A talha dourada encurva-se em barrocos asiáticos e os santos, católicos brâmanes, vestem seda. Sentir as drogas e as coisas medicinais da Índia na farmácia Ayurvédica onde estagiou Garcia de Orta. Do alto do forte de Aguada vigiar o mar e o infiel e desenhar, na areia, mantras de despedida.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Pressa

--> A pressa senhor secretário-geral é que uma boa parte dos portugueses gostariam, apesar de tudo, de poder contar com o PS para uma alternativa de esquerda; a pressa senhor secretário-geral é que o senhor ainda não entendeu, tal como o seu camarada Lello que os “resultados estrondosos” (palavras dele) nas próximas autárquicas, não ficarão a dever-se a uma estratégia de progresso e de desenvolvimento regional da parte do PS mas sim, a um cansaço e total descrença na coligação governante; a pressa senhor secretário-geral é que o PS, sendo um dos signatários do Memorando, tem, apesar de tudo, que definir uma estratégia de esquerda, de frente de esquerda, de combate claro e lúcido em todas as frentes; a pressa senhor secretário-geral é que a táctica que o senhor e os seus apaniguados têm seguido de deixar apodrecer a situação e, depois, capitalizar os votos para uma “maioria absoluta”, é uma atitude medíocre e apenas eleitoralista; a pressa senhor secretário-geral é que já não queremos que apenas as moscas mudem para que a merda fique na mesma; a pressa senhor secretário-geral é que o senhor não tem política mas um pensamento de funcionário do aparelho e, um congresso, pode ser que instale uma linha politica no PS; a pressa senhor secretário-geral é que a esquerda tem pressa; a pressa “senhor quase a deixar de ser secretário-geral” é que o povo tem pressa. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Orelha de coentrada

O cão de olhar meigo que matou a criança já tem Providência Cautelar. Ainda bem que somos um País com as leis certas no lugar certo. O cão, já foi convidado para as televisões mas ainda não encontrou um agente, com o focinho à altura. Já lhe ladraram a petição e ele ia arrebitar as orelhas quando se lembrou que lhas tinham cortado não fosse outro Pittbull, este sem olhar meigo, lhas arrancasse e cozinhasse "orelha de Pittbull cruzado de coentrada". Apesar de tudo o cão de olhar meigo gostou do que ouviu. Não compreendeu muito bem o conceito de "abater" mas, desde que não o chateiem na cozinha à noite, não se importa com as cautelas que estão a ter com ele. Quanto à criança coitada para os peticionistas estava no lugar errado, à hora errada. É apenas mais uma vítima no dizer da Associação Animal sendo a outra, o cão. Ninguém cai em cima de um Pittbull numa cozinha à noite: arrisca-se a magoar o aparelho auditivo do pobre animal. SIT ZICO...SIT!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Consumidor final

Hoje fui almoçar a um restaurante onde não aceitavam Multibanco. Compreendi o problema. Elevadas taxas pagas aos bancos, 2,5/3%. O que eu pergunto é porque é que o “consumidor final”, aquela entidade mítica da sociedade portuguesa, paga tudo em dinheiro ou em ausência de serviços. Porque é que os restaurantes, através das suas associações não dizem aos bancos: meus senhores a partir de agora só pagamos 0,5%, é pegar ou largar. Resolveriam assim o problema sem nos meterem no assunto nós, consumidores finais. Eu, consumidor final vou passar a atirar para mais abaixo na escala da evolução, isto é: abaixo de mim (este abaixo é relativo), há ainda outros consumidores finais como por exemplo, varejeiras, baratas, diversas qualidades de insectos e coleópteros. Vou passar a descarregar neles o IVA e todas as taxas do consumidor final. A partir de agora baratas, tragam dinheiro porque o Multibanco já era!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A Esquerda e os bandidos ou Sandokan e o tigre de papel.

Não são novidade as medidas anunciadas nem podem constituir
surpresa. São apenas mais um passo da Via Dolorosa que iremos
percorrer durante bastante tempo. São medidas ideológicas
pensadas e executadas com a frieza de um jovem ultra-liberal, o
paquete bem acolitado dos grandes grupos económicos. Aguardo
ansiosamente, a comunicação ao País do Passos Coelho e do
Cavaco na véspera de Natal. De facto, o que apetece perante a
soberba doce do Primeiro, perante o sorriso alarve do Ministro da
Economia e perante a falsa introspecção discursiva do Ministro das
Finanças é ter uma recaída de extrema esquerda, uma violenta ida
à rua, um confronto radical, um exorcismo. Mas, tendo em conta o
elevado preço da gasolina, a atitude cocktail Molotov arrisca-se a
ficar muito cara, dada a quantidade que seria necessária. Em todo
o caso seria muito gratificante para o ego e para o narciso. A
atitude, convocar manifestações, vai ter uma grande adesão.
Vamos manifestar nos percursos clássicos, haverá alguns
confrontos violentos, bastantes discursos inflamados e novas
convocações tudo a bem da democracia. Politólogos de formação
rápida inundarão os media com opiniões repetitivas,
sensaboronas, ignorantes mas muito bem pagas. A casa da
democracia discutirá à saciedade estas medidas, as oposições, se
as tiverem, manifestarão as suas estratégias, haverá greves e
outras paralisações, o governo ripostará em vários fora...e por aí
fora. Tudo como dantes. Eles enriquecem, nós empobrecemos.
Então o que fazer como dizia o outro? A Esquerda (ainda?) não é
um movimento consistente, de actuação sistemática nos vários
planos da sociedade, abrangente, flexível/intransigente, inovador,
incansável. O PS tal como está configurado, não faz parte desta
história. A Esquerda não tem uma voz, uma política, uma atitude
mobilizadora, coerente e, sobretudo, alternativa. Então o que
fazer?
Para as grandes empresas e para o Governo deixámos há muito
de sermos considerados cidadãos, somos apenas consumidores,
cada vez mais pobres, dispostos a todas as formas de escravatura
e submissão. Esta “desvantagem” pode ser utilizada neste
combate. Assumamos declaradamente a nossa condição de
consumidores e deixemos de consumir: a gasolina, o telemóvel, o
que compramos e que é supérfluo, restaurantes, livros, jornais,
álcool, tabaco, uma lista grande de coisas que poderemos
dispensar durante um mês. Fiquemo-nos, durante esse período
pelo consumo dos bens essenciais. Conseguimos fazê-lo, estou
certo. Ajudemos o Governo a levar a economia ao fundo mas, já
agora, duma forma equitativa onde as grandes empresas também
tenham que pagar os custos. Empobreceremos mas
empobreceremos todos de uma forma democrática. Jejum,
abstinência de tudo o que não é necessário à vida, austeridade
sim, mas comandada por nós, verdadeira austeridade.
Simultaneamente ler com atenção os artigos vigésimos primeiro e
segundo da Constituição da República e,
desencadear acções legais nesta matéria. Encomendar estudos de
modo a que o Povo se possa constituir como parte civil na
acusação ao Governo e demais Órgãos de Soberania e, deste
modo, estar salvaguardado em acções de desobediência civil a
levar a cabo. Levar o Governo a tribunal por desobediência a uma
decisão do Tribunal Constitucional. E, claro, todas as outras acções
clássicas de protesto. Simultaneamente que se comece a ouvir a
voz e a energia da Esquerda. E, se possível, inventar receitas de
novos cocktails.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Política

Estamos conscientes da ferocidade messiânica de quem nos governa. Estamos conscientes da prevista evolução de Cavaco Silva para Cavaco de Deus Tomás acompanhando, aliás, a evolução do Ministério da Cultura para uma futura Direcção Geral de Serviços Culturais, Eventuais e Afins. Estamos conscientes da paralisia do PS e da mediocridade quer da sua intervenção política quer dos seus actuais dirigentes. Sabemos, mesmo sem consultar os vários oráculos que mediatizam a crise que, há várias velocidades na Europa, há uma Europa de ricos e outra de pobres, uma moeda única não obriga a um pensamento único. Sabemos que só o Ministro da Finanças se surpreende com o desemprego, os desempregados já não. Sabemos isto e muito mais por exemplo que gostaríamos de ser felizes. Vivemos décadas numa ditadura fascista, num país cinzento, pobre, inculto, colonizador, racista, invejoso, pequenino Portugal. As comparações são sempre manipuladoras mas hoje, quando oiço as vítimas dos incêndios, grande parte deles produto de uma política florestal criminosa, não posso deixar de comparar com as declarações das vítimas das cheias em 1967 na Região de Lisboa. É o mesmo povo, as mesmas palavras, a mesma profunda tristeza e total impotência perante “eles”, as entidades abstractas, os que governam, os que não se sabe bem quem são...os que nunca cá vieram! Dizem-nos, que nunca em Portugal, tivemos uma juventude tão escolarizada. E isto significa o quê? É isto um indicador de desenvolvimento humano? É o número de telemóveis um indicador de desenvolvimento humano? Perante a declaração atabalhoada de uma velhinha sem dentes e com dor nos olhos, estas estatísticas desvanecem-se e alertam-nos para que é preciso voltar a colocar a política no posto de comando, no pensamento e na decisão. E voltar a eleger políticos e não funcionários nem que para isso seja preciso andar à porrada. Acho que é mesmo isso que está a faltar.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Portugal outlet

Gostamos muito de marcas. Não lavo os dentes mas os meus ténis são ...
A minha mãe foi obrigada a dar-me um ... phone senão zangava-me com ela;
As parcerias público-privadas são uma boa marca mas, na maior parte dos casos, tem defeito;
as bengalas dos cegos que mendigam no Metro são cabos de vassoura e percutem no chão agradecendo a esmola da troika;
temos um primeiro ministro autêntico, um jota genuíno, um total incompetente mas com defeito no que respeita aos discursos do desemprego e outros;
também temos um PR perfeito, totalmente banal e originalmente português mas, lá está, tem defeito, tem o defeito de dizer coisas ocas e saltitantes, tem o defeito de nos envergonhar cada vez que abre a boca salivante;
o povo português é, em regra, cortês, hospitaleiro, gesticulador mas, enfim, tem um defeito, fala alto demais e cala-se quando não devia;
a justiça é do melhor que há. Gente séria, trabalhadora mas... tem defeito, o defeito da prescrição. Não sendo isso ninguém a quereria;
tentamos vender o melhor país ao melhor preço mas ninguém nos quer, os mercados não nos querem. Estamos a ser postos à venda no mercado errado. Se nos colocarem no mercado outlet, seguramente que seremos vendidos depressa com lucro defeituoso é certo mas, apesar de tudo, lucro;
dizem que se vende gato por lebre mas eu acho que é uma afirmação errada: vendemos apenas lebre outlet, com um pequeno defeito nas orelhas. Não há gato aqui e, se houvesse, teria um pequeno defeito. Qualquer advogado inteligente usaria esse pequeno defeito para protelar a afirmação “gato por lebre” e arrastá-la, décadas em sérios e competentes tribunais nacionais;
acho que chegou a altura de encontrar um blog outlet!