domingo, 3 de julho de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Agora
Agora que os demónios se reergueram e, debaixo dos granitos, lacraus apressados e espectrais carregam a fundura dos preconceitos; agora que regressou a compostura, o direitismo, a atitude recatada e cinzenta, a benzedura opinativa e santificada; agora que nem o capital se sustém a si próprio precisando do financiamento dos pobres; agora que os ministros que foram verdadeiros terroristas verbais se exprimem com a contenção de verdadeiros euro-estadistas; agora que a cultura ficou na mão dos funcionários da cultura, agora, importa não confundir programa “técnico” da troika internacional com a ideologia da nossa troika. PSD, CDS e PR, sempre disseram que queriam ir mais além e vão. Direi que os Gregos vão ver-se portugueses para cumprir o programa de austeridade. Portugal vai ser modelo exemplar e referencial de como enriquecer o défice, pauperizando os pobres e o país. Coelho será abundantemente citado pelo seu amigo Barroso em várias reuniões de alto nível a bordo de elegantes iates gregos em fins de tardes brancas e mediterrânicas. Esta maioria, este Governo e este Presidente estão para ficar. As pedras estão levantadas.
domingo, 26 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
Igrejas
Chateia-me bater em mortos mas não resisto em dar uns safanões ao Louçã. Desenvolve agora o argumento de que se tivesse ido à reunião da Troika a votação teria sido diferente. Apontar este facto como causador do resultado eleitoral do Bloco é mesmo esconder o sol com a peneira. É uma bela maneira de disfarçar a total ausência de uma estratégia adequada à situação política vigente. É ocultar o facto de que a prática política do Bloco foi objectivamente de direita, serviu os interesses da direita. Através de inflamados sermões lá foram Louçã e os seus cientistas sociais, enchendo de vazio o espaço político-social não entendendo nada do mundo nem das gentes. É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma. No Bloco nem isso tal é a consistência e a densidade do dogma. Oremos meus irmãos!
quarta-feira, 15 de junho de 2011
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Recreações
Quem aprende com os erros, nunca se demite senão deixa de aprender e de beneficiar da grande vantagem que é a chamada formação ao longo da vida. Quem nunca se demite não consegue mesmo aprender com os erros porque cega na visão transversal dos problemas e, com o cérebro confuso com a ausência de outras direcções do olhar, inventa pedagogias que, ao longo da vida, acabarão por cristalizar o pensamento. Por outro lado, reconheçamos a total limpidez de alguns cristais mas, igualmente, a sua total e eterna imutabilidade.
Ser imutável e constante é próprio dos políticos com craveira e com princípios bem adquiridos e sólidos, temperados no fragor das lutas ou, talvez, dos políticos estúpidos de vasto e malcheiroso umbigo.
Quem se absteve, na voz do PR, perdeu o direito à palavra, à critica, à manifestação de qualquer desacordo. Passou a ser um cidadão de segunda, um abstinente ... um abstémio encartado. O PR deveria mesmo abster-se de tão anticonstitucional interpretação da constituição. Os cidadãos portugueses perdoar-lhe-iam tal abstenção, não lhe cortariam os direitos políticos, não o condenariam ao degredo, nem sequer lhe sugeririam que se demitisse.
terça-feira, 7 de junho de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Pepinos
Gosto da frau Merkl, é a minha senhoria. Temos, eu e uns tantos portugueses, esta casa alugada na Europa. A Europa é um bairro fino e, assim sendo, as rendas são caras. A minha senhoria ficou com diarreia por causa de supostos pepinos espanhóis. Os espanhóis também têm casa alugada na Europa, tão cara como a nossa, mas eles ainda conseguem pagar porque, entre outras coisas, vendem pepinos à frau Merkl. Uma solução para o nosso problema de pagamento da renda no fim do mês seria, vender à frau Merkl tisanas de salgueirinha que parece ser muito bom para os desarranjos provocados, supostamente, pelos pepinos.
terça-feira, 31 de maio de 2011
Sobre abstenção ou voto branco.
São coisas diferentes: a abstenção pode ser uma ida à praia ou a outro lado qualquer, uma preguiça súbita, uma ressaca. Não tem valor de afirmação porque se dilui nela própria. O voto branco, pelo contrário, é afirmativo é uma atitude política. Significa não se querer ver representado por nenhum dos intervenientes nestas eleições. Não se querer ver representado pela mediocridade, pelo oportunismo, pelo clientelismo, pela alucinação dogmática, pela cassete. Quando alguns afirmam que estes votos só vão beneficiar os partidos/troika, esses, que vão votar BE ou PC, estão numa verdadeira atitude religiosa de afirmação de pureza e de não contaminação pelo poder. Uma coisa até bem estudada por alguns antropólogos. Esses que vestem de branco e tanto criticam os votos brancos, abalançam-se, deste modo, ao poder. Mas o poder deles seria impoluto, puro, inócuo, desinfectado. Muitos deles até votaram com uma grande nobreza nas últimas eleições, nobreza que deu vómito. Eu vou votar branco para não ter que tomar, depois, bicarbonato.
domingo, 29 de maio de 2011
Democracia
A ideóloga do PSD falou! O jovem aprendiz, de olhos brilhantes aquiesceu. Portugal está mais claro.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Standing comedy
Seria injusto não reconhecer a criatividade, alguma dela produzida em horas extraordinárias, dos intervenientes das várias campanhas eleitorais. Não lhes chamo políticos porque não estão a fazer política, mas ainda não encontrei uma designação adequada para caracterizar a atitude e o desempenho profissionais, desta tecnocracia do entretenimento social. Injusto, repito, não ver na convocação de personagens históricas mais ou menos contemporâneas, um talento argumentista e televisivo que poderá ser uma vantagem em caso de desemprego temporário. Injusto não reconhecer nos eufemismos e nas várias figuras gramaticais utilizadas nestas aventuras, um contributo maior para currículos menores e anémicos. Injusto ainda não considerar que a repetição de mantras sobre os temas mais conhecidos, constitui um poderoso mobilizador para uma purificação cármica. Mas, apesar de tudo e reconhecendo o valor intrínseco e sempre igual destes entertainers, sugeria, até para a salvaguarda da sua saúde física e originalidade, que estas campanhas/comício/shows/standing comedies/etc., durassem apenas 3 dias. Que se faça uma alteração constitucional se for preciso. Aliás sugiro mais: que estas actividades fiquem na alçada da Direcção Geral dos Espectáculos e sejam objecto de classificação etária.
domingo, 22 de maio de 2011
Aeroportos
Hoje aterrou um outro avião em Beja vindo de Londres. Ontem por avaria do meu, tentei alugar um carro em Beja. Sábado, depois do meio dia, alugar um carro em Beja … só em Faro. Ok, o táxi pago pela companhia de seguros, levou-me a Faro à zona das várias empresas alugadoras de automóveis, no aeroporto.. Aqui começa o filme: para alugar um carro é preciso um cartão de crédito. Não me faço acompanhar habitualmente desse objecto e a situação complicou-se. Tentativa de, via Lisboa, alguém que reservasse na empresa de aluguer, com cartão de crédito, um carro. Possível mas, ainda mais complexo, o balcão onde estava teria que obter uma prova física do dito cartão, fax, ficheiro digital. Não sendo isto possível porque nem toda a gente tem em casa escritórios electrónicos, tornou-se critico conseguir efectuar o aluguer. Acresce que alugar um carro num sítio e entregá-lo noutro tem um acréscimo de 70 euros, como se a frota não circulasse e os fluxos naturais de clientes não equilibrassem a frota nos diversos locais. Alugar no aeroporto custa mais 30 euros do que na cidade. Estas condições são verdadeiros roubos legais. Tudo isto aliado à falta de educação do chefe de balcão fizeram-me regressar a Lisboa de camioneta. Esqueci-me de dizer que eu ia para Mértola!
domingo, 8 de maio de 2011
À rasca
Agora quem está a ficar à rasca sou eu: no passaporte vou escrever nacionalidade: troiquiana; tudo empolgado com um vídeo supostamente para finlandeses mas que é mais para afagar o ego nacional com aquelas cenas do "demos novos mundos ao mundo"; dois clubes portugueses numa final europeia; um facto histórico que é o PSD apresentar, finalmente, um programa; um presidente do estilo: eu que até sei...não volto a avisar; só falta de facto a brilhantina dos homens da luta ganhar a Eurovisão. Viva Portugal!
sexta-feira, 6 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Portugal & herdeiros
Interrogo-me sobre a factura que os portugueses vão pagar às instituições que nos vão emprestar biliões de euros. Interrogo-me sobre a minha parte dessa factura e, sobretudo, porque é que eu vou ficar a dever dinheiro durante anos. Sempre trabalhei, sempre paguei os meus impostos, não pratico peculato nem tráfico de influências; os empréstimos que contraí estão pagos ou a caminho de o ser; paguei pontualmente todas as contas que me foram apresentadas nos hospitais, nas diversas empresas ou pessoas que me prestaram serviços; não recebi dinheiro por baixo da mesa nem pintei sacos de azul; tenho vivido alguma parte da minha vida no estrangeiro significando isso que não utilizo em igual percentagem os serviços públicos e, como tal, provoco menor desgaste; não gasto acima das minhas possibilidades nem recorro ao crédito para pagar estatutos de sol e praia em lugares exóticos ou para ter um sofisticado automóvel de dois em dois anos; nunca gastei mais do que aquilo que posso pagar. Daí a minha pergunta: mas o que é que eu devo? A quem devo? Porque devo? Se alguém fez mal as contas, corrompeu, geriu mal, não estudou nem teve visão para manter equilibrada e desenvolver a mercearia Portugal & Herdeiros que se chegue à frente. Eu como cidadão não devo nada a ninguém e não quero pagar o que não devo: é um mau princípio.
domingo, 24 de abril de 2011
25 de Abril de 1974: datação pelo Carbono 14
Há muitos, muitos anos, havia o bom povo português, cinzento, submisso, analfabeto que pouco se indignava, valha a verdade, com o contexto e a condição em que vivia.
Agora, assistimos paulatinamente às novas conversas em família onde, políticos, politólogos, comentadores vários nos apresentam a banalidade e os segredos de Estado, servidos a frio, numa bandeja de alumínio; não nos incomoda que o Sr. Presidente da República, a mais alta figura do Estado (vá-se lá saber o que isto quer dizer), comunique via Facebook qual adolescente púbere que acabou de descobrir as maravilhas da vida virtual; reagimos estáticos à mensagem pascal do novo oráculo do qual dizem que é uma pessoa com quem se pode conversar; assistimos às intervenções lunáticas de uma esquerda que não percebe realmente o papel criminoso que desempenha nesta história; substituímos o cinzento pelo beije e pelo verde dito sustentável e pagamos os produtos bio como se fossem de luxo dando grande ênfase científico à permacultura, coisa que sempre foi feita pelos pequenos agricultores que trabalham a terra; deixámos de ser submissos mas continuamos à rasca ou calados fora do café; analfabetos já não somos de facto, somos sim quase todos proprietários endividados que lidam muito bem com a dívida do estado, com os salários milionários, com a injustiça da justiça; continuamos a não nos indignar mantendo uma continuidade cultural sólida, profunda e transversal à sociedade; continuamos a não discutir a pátria e a autoridade mas discutimos, cada vez mais, Jesus, já não é mau. Uma parte do título deste post, 25 de Abril de 1974 é história antiga e é compreensível que assim seja: a velocidade dos acontecimentos aumentou muito desde então, a própria noção do nosso tempo interior também mudou e, estes anos assentaram em cima de uma cultura presa a fundos preconceitos e ancestralidades fatais que a pós-modernidade deixou incólumes. Talvez com o método científico de datação pelo Carbono 14 consigamos ter uma aproximação histórica mais precisa e informada. Ficaria bem, para acabar, um 25 de Abril Sempre mas, depois de ouvir o Otelo dizer que se soubesse que era para isto não o teria feito e que precisamos de uma personalidade com a inteligência de Salazar, acho que as palavras deixaram de ter significado e está instalado o vazio — que é o espaço ideal para quem medita.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Socrates Alcáçer Coelho Kibir
Uma nação antiga e de profundas convicções; homens temperados pela gesta de dobrar cabos; uma cultura ontológica; um povo iluminado e crente no sexto império; gente que não discute a autoridade nem a pátria; uma intensa cultura de sofrimento, incompetência e insensatez. Apenas com estas condições reunidas é possível voltar a viver o mito, voltar a combater nas areias de Alcáçer FMI-Kibir, voltar a perder tudo e nada, hipotecar futuro na espera. Estava reservado para Portugal este acontecimento raro na história do Mundo e dos homens: repetir o mito. Repetir o único mito decente e com categoria interpretativa de que dispomos. Aguardaremos Sebastião numa manhã clara de Junho (não há dinheiro para a máquina de nevoeiro). À sua espera no cais de Belém, uma comitiva de notáveis perfilados ao longo das palmeiras que serão plantadas no futuro. Embaixadores da Alemanha e da França sentados em cadeiras de praia, saúdam a chegada. Ao longe, porcos carregados de refrigerantes, inquietam-se e fuçam na relva amarela, desgastada e cheia de beatas. Em casa o povo/plasma acompanhará a cerimónia com umas superminis fresquinhas. Portugal está, de novo, no bom caminho!
quarta-feira, 6 de abril de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
domingo, 27 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
UNIÃO NACIONAL
Parabéns PSD, PCP, BE, PEV e CDS-PP, conseguiram demonstrar que os eleitos, os seres perfeitos, os de conhecimento superior, a nata da sociedade, os que estão próximos dos deuses, os elevados lentes, os imortais, os setôres não devem, nem podem ser avaliados. Seria um verdadeiro sacrilégio só desejável pelo mais reles e comum dos mortais. Esta UNIÃO NACIONAL de vontades, demonstra a vitalidade da nossa querida democracia e a uma visão profunda de como perpetuar o conhecimento e os valores cristalizados. Parabéns setôres!
quarta-feira, 23 de março de 2011
Proposta de Governo de Salvação Nacional
1º Ministro O que escreve os discursos de Cavaco
Ministro dos Assuntos Parlamentares Pimpinha
Ministro da Economia Oliveira e Costa
Ministro das Finanças Oliveira e Costa
Ministro das Pescas e Agricultura Manuel Godinho
Ministro do Turismo Alberto João Jardim
Ministro da Ciência e Tecnologia Astróloga Maya
Ministro da Defesa Nuno Rogeiro
Ministro do Interior Mãe de Bragança
Ministro da Educação Tino de Rãs
Ministro da Comunicação Social Fernando Lima
Ministro do Desporto Gilberto Madail
Ministro dos Assuntos Europeus Júlia Pinheiro
Ministro dos Assuntos Políticos Professor Marcelo
Ministro dos Negócios Estrangeiros Professor Karamba
Ministro da Justiça Fátima Felgueiras
Ministro dos sem abrigo Fernando Ulrich
Ministro dos sem dinheiro Cristiano Ronaldo
terça-feira, 22 de março de 2011
domingo, 20 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Que parvos que eles são!
Coloca-se uma questão interessante em termos de teoria política no que concerne a dita moção com prazo de validade do Bloqueio da Esquerda. Se o PSD ou o CDS votarem a favor depois do discurso impuro do Pureza, o BE deve dissolver-se, sair da vida política, regressar às Universidades, eventualmente transformar-se em produtor musical porque, seria a primeira vez que uma moção dita de esquerda conseguiria concitar simpatias e tácticas de tão famosos cidadãos como Aguiar Branco ou Rangel; se ninguém votar a favor (excepto talvez com hálito a sapo o PC), o BE deve dissolver-se porque, estrategicamente, nem Louçã, nem Fazenda, nem Rosas estão a atinar com os representantes do povo e, como tal com o próprio povo configurando, desse modo, a distância a que se encontra a rua do Bloco ou vice-versa. Nestes próximos 20 dias de brilho e de lantejoulas para o Bloqueio da Esquerda não se esperam cisões nesse grupelho, nem discursos "esclarecedores" de que afinal não era bem aquilo que se quiz dizer... ou sim. Nos próximos dois dias, até quarta-feira o mais tardar, os partidos e os cidadão ditos responsáveis devem, para que a honra não fique suja com manchas indeléveis, manifestar publicamente o seu sentido de voto. Acabemos com esta brincadeira de putos esquerdistas que leram traduções googladas dos textos fundamentais e estão de ressaca. A revolução não está, de facto, na ponta da moção de censura.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Marralhões
Gostei da notável sagacidade do Bloco; gostei do anúncio a prazo estilo consumir até 10 de Março senão estraga-se; gostei do jogo de cintura e antecipação de Louçã qual mestre de Shaolin atirando o Ki lá para a frente, brilhando nos media; gostei do ar sorumbático do PSD que vai analisar friamente o assunto; gostei do Jerónimo e do seu assistente que vão analisar esta moção a prazo como analisariam qualquer outra. Decididamente estou velho: no meu tempo, no jogo do berlinde, dizia-se rapidamente marralhões para poder observar as estratégias de jogo dos adversários e tomar o melhor caminho.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
sábado, 29 de janeiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Brasília I
Uma não cidade com algumas peças de notável arquitectura. Na resposta ao concurso público para o desenho urbano de Brasília em 1953, Lúcio Costa o autor do projecto urbano, considera que o automóvel será um bem comum dentro de pouco tempo e assim o desenho da cidade irá tirar partido desse facto. E é verdade. Esta não cidade é impiedosa para com os peões. Há pequenos trechos pedonais que acabam subitamente no asfalto concorrido e perigoso. Quem se desloca a pé em Brasília fica à toa e perdido num verdadeiro deserto urbano. Cidade cara e sem alma.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
sábado, 1 de janeiro de 2011
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Pré-federalismos
É este estado de pré-federalismo muito prolongado que tem permitido e ele próprio sugere a criação de estruturas híbridas - não nacionais mas não totalmente federais – que se constituem como verdadeiros poderes paralelos e de nova índole, desligados dos cidadãos. E serão tantas mais e tanto mais híbridas quanto os crescimentos cada vez mais diferenciados dos países que o constituem e a inexistência de lideranças com projecto verdadeiramente europeu e comum. É sintomática a declaração de Barroso mandando calar para que os mercados não levem a mal. É impensável que qualquer outro alto dirigente de qualquer outro bloco socioeconómico faça declarações deste teor porque, nos outros casos, em todos os outros casos, as políticas são claras e públicas. Esta é a melhor prova de que a Europa não existe. É inadmissível que esta União Europeia não tenha uma posição firme e única face às agências de rating que ditam e controlam políticas nacionais. As nossas leituras e certezas sobre democracia e estado, sobre economia política e participação, sobre trabalho e capital precisam urgentemente de ser recriadas para darem origem a novas e diria, pré-federais formas, de compreensão do real. É urgente.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
domingo, 26 de dezembro de 2010
sábado, 25 de dezembro de 2010
Natal
Quando os aeroportos, um dos locais mais controlados do Mundo, gelam e o director de Roissy chega a casa e o filho lhe pergunta — Pai como foi o teu dia? E o pai responde como se fosse uma empregada doméstica: —Faltou-me o líquido descongelante;
Quando grande parte das notícias dão imagem aos habitualmente transparentes e não televisivos sem-abrigo e às suas ceias colectivas aparentemente não solitárias;
Quando, nos hospitais, os velhos são depositados na véspera enquanto a família se faz à estrada na mira de um cabrito ou de um acidente mortal num qualquer IP;
Quando há circos nos vários canais e a graça consiste em comer, boçalmente, bananas;
Quando demasiados padres católicos invadem a televisão laica e, em profundos e vespertinos sermões, apelam à paz e à guerra santa;
Quando um fanático taliban paquistanês se faz explodir num fila de esfomeados;
Quando isto tudo acontece podemos ter a certeza que não é Natal.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Aparente debate
Começou a opereta das presidenciais. Primeiro acto: a galinha foge do inconsciente colectivo dos partidos comunistas. Que mal fizemos nós para ter estes candidatos? Volta Cunhal estás perdoado!
sábado, 11 de dezembro de 2010
Campanha eleitoral
Ouvi dizer que vai haver eleições para a Presidência da República de Portugal em Janeiro próximo, perguntavam um turista Kazak e a sua namorada (não sei se os Kazaks podem ter namorada ou só esposa (s). — Sim disse o polícia que por acaso não era estrangeiro nem de fronteiras. Ah dyes disse o Kazak em romano cirílico, é por isso que há luzes de várias cores na cidade...no nosso país, quando há eleições, os candidatos debatem, falam na comunicação social, escrevem nos jornais, existem...,aqui pelos vistos fazem programa político cada um com a sua cor de lâmpada. Muuuito orrriginal! O polícia interrogou-se pela primeira vez sobre este assunto e até se atreveu a dizer ao chefe:
— óhh chefe nem parece que vai haver eleições, chefe!
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
As vinte cadeiras vazias em Oslo
| Afghanistan |
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| Vietnam |
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Europês
Aproxima-se uma maioria, um Governo, um Presidente, um BCE, um FMI, um verdadeiro inside/outside job. Tudo boa gente para nos tornarmos, finalmente, um país bem comportado, bígamo de Euro e Merkl e não transaccionável. As sondagens revelam que uma boa parte do eleitorado PS votará Cavaco. O PS tem esta grande vantagem de ser cada vez mais transaccionável. Rara qualidade politica. 2011 enterrará definitivamente qualquer perspectiva de liberdade, igualdade, fraternidade pensada em português europeu. Como diz a outra “o europês é uma linguagem complexa” mas aprendê-la-emos em sucessivos e ruinosos pós-doutoramentos.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Parabéns Herberto Helder
"do mundo que malmolha ou desolha não me defendo
nem de mim mesmo, à força
de morrer de mim na minha própria língua,
porque eu, o mundo e a língua
somos um só
desentendimento"
Herberto Helder in A faca não corta o fogo
nem de mim mesmo, à força
de morrer de mim na minha própria língua,
porque eu, o mundo e a língua
somos um só
desentendimento"
Herberto Helder in A faca não corta o fogo
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
LisboaCabul
Em LisboaMogadishio a PSP investe pelos bairros protegida dos calibres perfurantes. Em LisboaBagdad a PSP blinda os bairros periféricos. Em LisboaCabul a PSP tem carros blindados sem canhão o que é lamentável porque assim as imagens televisivas são mais pobres e o pobre do observador arrisca-se a levar um tiro no olho. Já sabíamos da crise, já sofríamos com a crise. Eu ainda não me tinha dado conta da guerrilha urbana comandada pelos blindados da PSP e da GNR e pelos Pandur do exército. O presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), José Manuel Anes, entende que a existência de armas de características militares nos bairros pode ser "expressão de descontentamento de massas". É uma visão pós-moderna do poder na ponta da espingarda! Quanto ao Ministro e aos generais sedentos de brinquedos em forma de pénis não há pós-modernidade que lhes valha. Não seria melhor e daria maior empregabilidade cercar esses bairros de muros metálicos como em Israel? Até podiam ter baixos relevos em forma de testículos.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Dardos 1
Prometi e não consigo cumprir! Não consigo enviar dardos a mais nenhum blogue e, desse modo, cumprir os objectivos da criação deste prémio: «O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.»
Os blogues que leio e "que transmitem valores culturais, éticos e ... criatividade através do pensamento vivo", já foram agraciados. Sorry!
Os blogues que leio e "que transmitem valores culturais, éticos e ... criatividade através do pensamento vivo", já foram agraciados. Sorry!
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Dardos
Dardo: arma de arremesso; ferrão ou aguilhão de determinados insectos; língua das serpentes; dito satírico, mordaz; aquilo que é usado para lançar veneno, para ferir, para atacar, etc. A Nossa Candeia agraciou o AyyapaExpress com esta distinção que nos toca e que agradecemos. Compete-nos agora lançar mais dardos e envolver outros blogues nesta distinção. Fá-lo-ei em breve. Obrigado.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Acordo eminente numa televisão perto de si
Que frisson! Não me emocionava tanto desde que Cavaco anunciou a sua candidatura. Que jogo de cintura senhores e com plano B e tudo. Durante uns dias até fiquei convencido de que Catroga e Santos não tinham os respectivos números de telemóvel. Pergunto para quê este jogo político? Parecem tricas de Junta de Freguesia do Portugal profundo, com todo o respeito: não jogo mais à sueca com o José Santos; e eu não vou mais à caça com o Eduardo Coelho. Que vergonha! Esta elite política do centro está gasta, corrupta desprovida de ética. Façam política, não concorram com reality shows porque perdem sempre. Façam politica se ainda sabem o que isso é.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
Boca a boca
Quando um artigo de jornal começa com: “Estudo mostra que...”, só temos que nos curvar perante tanta ciência. No caso vertente um artigo do DN sobre socorrismo só confirma a minha opinião. Eu também acho que quem não tem formação em boca a boca deverá fazer boca a outra coisa qualquer, não se correndo assim o risco de perturbar a percentagem de sucesso dos dados apontados no estudo. É uma investigação de uma entidade americana, evidentemente, aqueles que colocam bips em todos os fucks. Percebe-se que defendam a mão no coração em detrimento de manobras mais íntimas que são comparáveis a sexo antes do casamento, logo condenáveis e impeditivas da ressuscitação.
sábado, 23 de outubro de 2010
Nostalgia de la luz - Patricio Guzmán - Extracto 3
Não percam se for exibido no circuito comercial. Uma parábola que se joga entre o passado do Universo e o passado recente do Chile. Magistral.
sábado, 16 de outubro de 2010
Zaping
Confesso que esta economia politica me ultrapassa. Confesso que via mais claro há uns anos atrás. Confesso que este capitalismo democrático me engana. Confesso que já não os posso ouvir. Confesso que a minha vontade é emigrar mas para um lugar do Mundo onde não se fale europês. Confesso que a língua portuguesa evoluiu muito; agora, é possível discursar através de infindáveis neo-advérbios e, no final, parece que todos têm razão. Os gajos invadem tudo o que é media e debitam longas e penosas construções de real ficção. Os gajos acham que dizem verdade, todos dizem a verdade. A verdade passou a ser supra partidária. O economês, o politiquês, o financês, passaram a fazer parte da nossa pró e contra cultura politico-sócio-económica. No nosso quotidiano muidinho, qualquer viagem de metro é um fórum aberto sobre ratings, off-shores, dívida pública, altos preços do petróleo. O Parlamento passou a concorrer com todos os Big brothers e discute shares televisivos ao milímetro. O zaping é agora entre os mineiros vedetas, as alternativas tipo Coelho/cartola, as gajas da casa da TVI e o brand ou crude. As coisas que nós sabemos! Temos o Orçamento connosco, obrigado portugueses. Fod...-se
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Metro
O projectista da estação de Metro de S. Sebastião, na ligação da linha vermelha com a linha azul, merece os nossos cumprimentos, diria mesmo, os nossos calorosos cumprimentos. Neste local, sente-se o calor humano, as pessoas roçam-se umas nas outras, há muito afecto, muito cheiro, muito corpo. Diria que é uma ligação de linhas quase sexual. São estreitas escadas de prazer quando chega um comboio, o mesmo que vai partir. Se acaso houver uma situação de pânico nessas instalações, não culpem o projectista pelos corpos espezinhados. A sua intenção era apenas estreitar o calor humano e as relações íntimas, cada vez mais ausentes do nosso quotidiano.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
OE 2011
Estava-me a apetecer escrever sobre o OGE mas tenho receio de que antes do fim do texto, me cobrem quatro ou cinco consoantes e que o resultado seja ininteligível. Já não estou a usar muitas vírgulas porque faltam e, pontos e vírgula, nem falar. Ainda me lembro do Jorge Sampaio dizer que havia vida para além do défice. Sorte a dele que a Merkl não lhe tenha cortado as vogais para não dizer o pio. Estamos a satisfazer as agências de rating (perigosa semelhança com rato) e estamos orgulhosos por a pátria não ser caloteira e defender o euro mesmo sem palavras. Defender o euro e crescer negativamente é um futuro brilhante! Estava a apetecer-me escrever sobre o OGE mas teria que usar outra gramática com vogais menos europeias, consoantes menos alemãs, orações menos dolorosas e verbos conjugados no futuro ...incondicional.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Orçamento 2011
José Pedro Passos Sócrates Coelho.
OCDE recomenda rigorosos cortes nas despesas com testosterona.
OCDE recomenda rigorosos cortes nas despesas com testosterona.
sábado, 18 de setembro de 2010
Vergonha
Não ficam envergonhados quando ouvem os argumentos do líder da bancada parlamentar do PS sobre o "cigano" do Sarko; não sentem vergonha quando ouvem Cavaco Silva dissertar sobre a ordenha das vacas magras; não vos incomoda que o Gilberto da bola vá à procura do D. Sebastião; não sentem calafrios quando os "problemas informáticos" dominam a actualidade jurídica; por estas e por outras, quando viajo e me perguntam a nacionalidade digo sempre que sou de Aruba e que falo papiamento uma espécie de português tropical que não faz parte, hélas, da CPLP.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Tai Chi Taoista
A Associação de Tai Chi Taoista de Portugal (ATCTP) é uma Entidade Sem Fins Lucrativos, membro da International Taoist Tai Chi Society (ITTCS - Associação Internacional de Tai Chi Taoista) fundada pelo Mestre Moy Lin-shin, monge Taoista que emigrou para o Canadá em 1970, com o objectivo de dar a conhecer os ensinamentos taoistas no Ocidente.
A ITTCS está representada em 26 países e aproximadamente 500 comunidades existindo em Portugal desde 1994. Disponibiliza aos seus associados treino nas artes enraizadas na tradição taoista, nomeadamente:
Tai Chi Chuan (taijiquan)
Tai Chi Espada e Sabre
Hsing I (Inspirado nas formas de luta dos animais)
Lok Hup Ba Fa (o Boxe da água)
Chi Kung (circulação da energia no corpo),
Meditação, Cânticos, Cerimónias e
Estudo dos Textos Taoistas - em colaboração com o Fung Loy Kok Institute of Taoism, no Canadá.
A ATCTP tem sede na Rua Rodrigues Sampaio, 112 cv-D em Lisboa, onde faculta aprendizagem da forma de Tai Chi, composta por uma série de 108 movimentos praticados de forma suave com vista à saúde e bem-estar para o corpo e mente. Os instrutores são voluntários, recebem treino permanente e são acreditados anualmente. São quatro os princípios que orientam a actividade da associação:
1. Tornar o Tai Chi Taoista acessível a todas as pessoas.
2. Promover os efeitos benéficos do Tai Chi Taoista para a saúde.
3. Promover o intercâmbio cultural.
4. Ajudar os outros.
A ATCTP abriu a sua página no Facebook que será um espaço de partilha de informação e um poderoso instrumento de comunicação sobre as actividades da Associação em Portugal e no Mundo.
A ITTCS está representada em 26 países e aproximadamente 500 comunidades existindo em Portugal desde 1994. Disponibiliza aos seus associados treino nas artes enraizadas na tradição taoista, nomeadamente:
Tai Chi Chuan (taijiquan)
Tai Chi Espada e Sabre
Hsing I (Inspirado nas formas de luta dos animais)
Lok Hup Ba Fa (o Boxe da água)
Chi Kung (circulação da energia no corpo),
Meditação, Cânticos, Cerimónias e
Estudo dos Textos Taoistas - em colaboração com o Fung Loy Kok Institute of Taoism, no Canadá.
A ATCTP tem sede na Rua Rodrigues Sampaio, 112 cv-D em Lisboa, onde faculta aprendizagem da forma de Tai Chi, composta por uma série de 108 movimentos praticados de forma suave com vista à saúde e bem-estar para o corpo e mente. Os instrutores são voluntários, recebem treino permanente e são acreditados anualmente. São quatro os princípios que orientam a actividade da associação:
1. Tornar o Tai Chi Taoista acessível a todas as pessoas.
2. Promover os efeitos benéficos do Tai Chi Taoista para a saúde.
3. Promover o intercâmbio cultural.
4. Ajudar os outros.
A ATCTP abriu a sua página no Facebook que será um espaço de partilha de informação e um poderoso instrumento de comunicação sobre as actividades da Associação em Portugal e no Mundo.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Poucas vergonhas
Porque é que quando um grupo de vestidos ocupa uma praia de nudistas nada acontece! Em contrapartida, se um grupo de nudistas entra numa praia de vestidos. — aqui del-rei que poucas vergonhas ... a mostrarem as partes íntimas às pobres criancinhas que só conhecem nus virtuais de Playstation ... Valha-nos Deus vamos é chamar a GNR e já! Ora eu interrogo-me se a Constituição da República descrimina positivamente cidadãos vestidos em detrimento de cidadãos nus. Não acredito que tal possa acontecer com uma Constituição tão moderna e ousada ainda que redigida por pessoas muito bem vestidas. Por isso minhas senhoras e meus senhores fiquem lá nas vossas praias superlotadas, a cheirar o protector solar do vizinho, a pisar beatas e a ouvir conversas de telemóvel e deixem-nos em paz, nos nossos sítios, nus e pudibundos.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
Património urbano
Mudei de casa. Agora avisto alguns telhados e outros ritmos visuais desta cidade. E muitas chaminés de restaurantes, aqueles tubos zincados que supostamente devem evitar que os cheiros das cozinhas entrem pela casa dos moradores. Acontece que a maioria dessas chaminés não chega à cumeeira dos telhados onde estão instaladas. Por outro lado não têm em conta a altura dos prédios circundantes. Além de esteticamente horríveis não cumprem a função para que foram destinadas e, paira no bairro, um ar gorduroso e refogado. Presumo que os fiscais da câmara e os autores desta lei, também façam as suas refeições nestes restaurantes. Por isso, muitas vezes quando me falam em defesa do património, cheira-me a iscas.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Calor
Na esquina de uma paragem de autocarro, num dia de calor brutal (muito pior que o ano passado!), o meu amigo José desenhou-me a sociologia das preocupações nacionais, debatida no fórum dos transportes públicos:
1 - Meteorologia nas suas vertentes mais importantes,
a) o calor e o frio;
b) o incêndio ou a inundação.
2. Vida quotidiana,
a) a minha doença é pior que a tua;
b) o meu chefe é pior que o teu.
Este estudo de campo prova que ninguém quer saber o que pensa o poderoso ou monárquico PGR e muito menos que livros os políticos levam para férias. Apesar de tudo eu continuo a pensar que o chefe do PGR é pior que o chefe da esquadrilha de submarinos.
1 - Meteorologia nas suas vertentes mais importantes,
a) o calor e o frio;
b) o incêndio ou a inundação.
2. Vida quotidiana,
a) a minha doença é pior que a tua;
b) o meu chefe é pior que o teu.
Este estudo de campo prova que ninguém quer saber o que pensa o poderoso ou monárquico PGR e muito menos que livros os políticos levam para férias. Apesar de tudo eu continuo a pensar que o chefe do PGR é pior que o chefe da esquadrilha de submarinos.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Modas
Almoçando (não se deve começar frases por gerúndio), num restaurante em Lisboa numa zona de serviços, deu-me para observar as vestes dos clientes. Os quadros das nossas empresas vestem azul celeste, azul bebé, azul acinzentado, cinzento azulado. Fatos cinzentos, com mais ou menos brilho da seda sintética ou azul profundo, diria mesmo aquoso e as gravatas. Grande ousadia que varia entre o azul também profundo e o grená e um ou outro raríssimo verde turquesa, com riscas a contrastar ou de padrão liso na versão mais inteligente social. Grandes rasgos de liberdade nas camisas às riscas verticais num branco mais ou menos largo. Vendo-os vestir assim percebe-se como pensam: cinzento acinzentado.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Os amanhãs que cantam
Mas de que nos queixamos? Afinal o PSD está praticamente marxista. Oiçam Calvão da Silva que defende integralmente o Estado Social — a cada um segundo as suas necessidades e de cada um segundo as suas possibilidades. Podem discordar mas terão que apresentar razões atendíveis. Que cansaço!
segunda-feira, 19 de julho de 2010
O tio PPC
De repente, Pedro Passos Coelho ficou velho. Já tem duplo queixo como qualquer tio de meia idade, perdeu o brilho das efémeras lantejoulas. Claro que não quer apresentar nenhuma moção de censura, ninguém quer governar nestas condições, não dá dividendos políticos. Mas PPC diz que faz propostas para o futuro. Esta "novidade" de o Presidente da República poder demitir o Governo, esta ideia afrancesada, claro que é uma ideia de futuro como ele próprio afirma, uma ideia para quando PPC se candidatar à Presidência da República, uma coisa para daqui a dez anos. Mais um verdadeiro salvador da pátria, mais um messias iluminado, mais uma figura fotocópia das várias, muitas personalidades que Portugal teima em produzir para consumo interno. Clones da história. Que cansaço!
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Repartições
Tenho passado estes últimos tempos de Repartição de Finanças em Repartição de Finanças, de Conservatória em Conservatória, de Câmara Municipal em Câmara Municipal. A burocracia está, é um facto, cada vez mais digitalizada mas, a sua natureza, a extrema “complexidade” dos impressos na maior parte dos casos também mal desenhados e obscuros, a quantidade de papel e de dados para tratar um problema é de tal monta que anula qualquer tentativa simplex ou simplis e, funcionamos de facto, em câmara lenta. Enquanto se espera há quem fale ao telemóvel, há quem leia o destak do dia, há quem tenha os olhos no vazio. Eu observo. E observo que nestas oficinas do Estado, nestes subterrâneos do quotidiano, o elenco é sempre o mesmo. Os actores destas horas infindáveis de espera, deste total desconhecimento dos labirintos impressos ou digitalizados, desta sujeição às várias prepotências de funcionários de discurso codificado e hermético, o actor deste real social é sempre o povo. O povo sereno do discurso de Almirante, o povo conformado e taciturno, o povo pobre ou remediado. São sempre os mesmos que pagam os vários impostos, as multas ditas coimas, as imensas siglas transformadas em febras de engorda Tesouraria. Onde estão os outros? Nestas bichas (que me desculpem mas continuo a dizer bichas), perdem-se horas de trabalho, é permanente a ansiedade na espera do anúncio do número que se tem na mão e, quando se olha para as pessoas, sente-se uma enorme tensão como se fossem ser interrogadas por uma qualquer polícia. Os funcionários atiram com os vários códigos sublinhados a amarelo e, escudam-se nessa autoridade, nem vendo quem têm na frente. Tive a clara sensação de regressar aos anos sessenta e fiquei contente e rejuvenescido. Comemorei com uma imperial no café Lisboa. Já não existe?
sexta-feira, 11 de junho de 2010
O peso do ser
Quem não pode arreia costuma-se dizer. A frase do PR quando acha insustentável a situação é pasto para especuladores e total descrédito para o Mundo. O PR não sabe o que diz. Eu estou mesmo farto do insustentável peso de ser representado por um tão leve e fútil pensamento.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
O PS apoia Manuel Alegre
O escorpião resolveu mudar de casa e por isso saiu à procura de um lugar que lhe agradasse. No caminho encontrou um rio e, como sabia que não conseguiria atravessa-lo, propôs a uma rã que o levasse às costas até o outro lado.
A rã, conhecendo a reputação do escorpião, perguntou desconfiada:
— O que me garante que não me vais matar? O escorpião, sedutor, respondeu:
— Não faz sentido teres medo de mim porque se eu te matar, também morrerei.
— E quando chegarmos ao outro lado?
— Ficarei tão agradecido que podes estar descansada.
Os argumentos do escorpião eram lógicos e a rã ficou convencida de sua sinceridade. Por isso permitiu que ele se acomodasse nas suas costas e iniciaram a travessia. Quando chegaram ao meio do rio, o escorpião deu-se conta de que ficaria a dever um favor à rã e, não se conformando, ergueu o ferrão, ferindo-a mortalmente. Ao sentir a dor da picada, a rã perguntou ao escorpião porquê, uma vez que assim, os dois iriam morrer, e este respondeu:
— Desculpa é a minha natureza … não pude evitar, agora vou-me agarrar aquele cavaco e tentar chegar à outra margem disse o escorpião à rã já cor de laranja do veneno.
Interpretação selvagem de uma fábula atribuída a Esopo
A rã, conhecendo a reputação do escorpião, perguntou desconfiada:
— O que me garante que não me vais matar? O escorpião, sedutor, respondeu:
— Não faz sentido teres medo de mim porque se eu te matar, também morrerei.
— E quando chegarmos ao outro lado?
— Ficarei tão agradecido que podes estar descansada.
Os argumentos do escorpião eram lógicos e a rã ficou convencida de sua sinceridade. Por isso permitiu que ele se acomodasse nas suas costas e iniciaram a travessia. Quando chegaram ao meio do rio, o escorpião deu-se conta de que ficaria a dever um favor à rã e, não se conformando, ergueu o ferrão, ferindo-a mortalmente. Ao sentir a dor da picada, a rã perguntou ao escorpião porquê, uma vez que assim, os dois iriam morrer, e este respondeu:
— Desculpa é a minha natureza … não pude evitar, agora vou-me agarrar aquele cavaco e tentar chegar à outra margem disse o escorpião à rã já cor de laranja do veneno.
Interpretação selvagem de uma fábula atribuída a Esopo
quinta-feira, 20 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Leo Ferre Les Anarchistes
O que me vai na alma é o princípio de uma revolta contra estes países brancos e engravatados, contra estes políticos sem soluções nem perspectivas, contra o principio do funeral de alguma hipótese de felicidade. Vivemos num espaço económico obscenamente rico com milhões de pobres, desperdiçamos toneladas de alimentos e medicamentos, pagamos a muitos milhares de funcionários para gerirem esta Europa do Atlântico aos Urais. Temos exércitos, polícias várias, aceleradores de partículas, submarinos, o Barroso, o Sócrates. O Euro até já é trocado no mercado negro de Nova Delhi. Somos uma fortaleza praticamente inexpugnável para os pobres de outras cores e, no entanto, não conseguimos montar um espaço Schengen contra os especuladores financeiros. Somos um bloco político-económico incompetente. As soluções que os nossos dirigentes encontram são sempre as mesmas. A crise é permanente, as soluções já testadas e aplicadas mantêm a crise, alimentam a crise, castram a inovação e o desenvolvimento, matam as ideias de progresso, reduzem os povos a consumidores desqualificados, a cidadãos infelizes e tristes. Fizeram-se sessenta e oitos e vinte cincos, recentemente o planeta exultou com um D. Sebastião preto, Berlusconni paga 300.000 euros mensais à sua ex. Já não há mais paciência para o diálogo, para a compreensão, para a tolerância de ponto. O que me vai na alma é voltar a apetecer-me andar ao estalo, falar a palavra do pavé, anarquizar!
terça-feira, 11 de maio de 2010
A propósito de discursos de aeroporto militar
Para o Dalai Lama, a verdade é relativa. Perceber que não há axiomas inquestionáveis e tentar encarar as situações sob todos os ângulos, antes de tomar uma atitude, é fundamental. Mas leva o seu tempo e requer alguns exercícios. A mente humana teria a tendência de elevar as próprias ideias à condição de verdades inexoráveis. Diante de uma situação de discórdia, diz Dalai, o sujeito enche-se de argumentos que o levam a tomar determinadas atitudes a partir do seu ponto de vista unilateral, desconsiderando a trajectória dos outros envolvidos.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
A Europa não existe
Afinal a Europa não existe. Mesmo com este programa de 600 mil milhões de euros para apoiar os elos mais fracos desta suposta federação. O capital financeiro especulativo é a Europa. O Banco Central Europeu, o senhorio que nos faz subir ou descer a “renda” de casa é, afinal, uma entidade mítica. O BCE não pode emprestar dinheiro aos estados nem gerir um orçamento comum. O BCE empresta dinheiro aos especuladores que por sua vez o empresta aos estados com a selvajaria e o descontrolo conhecidos. E Portugal lá embarca nesta ficção dolorosa, reduz investimentos, vai aumentar os impostos, vai exportar cintos com mais furos que é a única coisa que se consegue vender nos países do Sul. A Europa é assim porque quer e porque os EUA querem. Porque não tem lideranças fortes. Porque se deixa conduzir por banqueiros de segunda e políticos de terceira. É uma ideia forte que enfraquece na adoração monoteísta do deus mercado. Cada vez é mais importante e vital que comecemos a diversificar. Ainda não queremos ser todos alemães.
domingo, 9 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Indicadores fiáveis
A publicidade é um dos melhores indicadores do estado de um país e representa a forma mais apurada de comunicação marketing/venda/persuasão/informação. Pelo exemplo que vemos temos que considerar que o estado do país é deplorável.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Manobras de Maio
Apoio a visita de Bento XVI. Habitualmente só nos visitam estrelas pop mais ou menos decadentes, actores de telenovela chungas e um ou outro chefe de Estado. Desta vez as nossas forças de segurança vão tirar a barriguinha de misérias. Cerca de 8000 agentes, segundo o Público, vão segurar a visita de 4 dias. São umas manobras como já não se viam há muito tempo. Desenferrugar o armamento, retirar caixotes do lixo por causa das bombas, autuar os carros estacionados nas ruas do percurso, tomar atitudes de autoridade coisa já esquecida dos nossos polícias, excepto quando cortam cabeças no posto. Só lamento não podermos utilizar os novos submarinos na segurança de sua santíssima santidade. Será que não é possível colocá-los no Tejo, por detrás do púlpito inspirado por uma grande pedra, armados com uns mísseis Stinger de plástico só para as televisões?
domingo, 2 de maio de 2010
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