quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Europês
Aproxima-se uma maioria, um Governo, um Presidente, um BCE, um FMI, um verdadeiro inside/outside job. Tudo boa gente para nos tornarmos, finalmente, um país bem comportado, bígamo de Euro e Merkl e não transaccionável. As sondagens revelam que uma boa parte do eleitorado PS votará Cavaco. O PS tem esta grande vantagem de ser cada vez mais transaccionável. Rara qualidade politica. 2011 enterrará definitivamente qualquer perspectiva de liberdade, igualdade, fraternidade pensada em português europeu. Como diz a outra “o europês é uma linguagem complexa” mas aprendê-la-emos em sucessivos e ruinosos pós-doutoramentos.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Parabéns Herberto Helder
"do mundo que malmolha ou desolha não me defendo
nem de mim mesmo, à força
de morrer de mim na minha própria língua,
porque eu, o mundo e a língua
somos um só
desentendimento"
Herberto Helder in A faca não corta o fogo
nem de mim mesmo, à força
de morrer de mim na minha própria língua,
porque eu, o mundo e a língua
somos um só
desentendimento"
Herberto Helder in A faca não corta o fogo
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
LisboaCabul
Em LisboaMogadishio a PSP investe pelos bairros protegida dos calibres perfurantes. Em LisboaBagdad a PSP blinda os bairros periféricos. Em LisboaCabul a PSP tem carros blindados sem canhão o que é lamentável porque assim as imagens televisivas são mais pobres e o pobre do observador arrisca-se a levar um tiro no olho. Já sabíamos da crise, já sofríamos com a crise. Eu ainda não me tinha dado conta da guerrilha urbana comandada pelos blindados da PSP e da GNR e pelos Pandur do exército. O presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), José Manuel Anes, entende que a existência de armas de características militares nos bairros pode ser "expressão de descontentamento de massas". É uma visão pós-moderna do poder na ponta da espingarda! Quanto ao Ministro e aos generais sedentos de brinquedos em forma de pénis não há pós-modernidade que lhes valha. Não seria melhor e daria maior empregabilidade cercar esses bairros de muros metálicos como em Israel? Até podiam ter baixos relevos em forma de testículos.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Dardos 1
Prometi e não consigo cumprir! Não consigo enviar dardos a mais nenhum blogue e, desse modo, cumprir os objectivos da criação deste prémio: «O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.»
Os blogues que leio e "que transmitem valores culturais, éticos e ... criatividade através do pensamento vivo", já foram agraciados. Sorry!
Os blogues que leio e "que transmitem valores culturais, éticos e ... criatividade através do pensamento vivo", já foram agraciados. Sorry!
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Dardos
Dardo: arma de arremesso; ferrão ou aguilhão de determinados insectos; língua das serpentes; dito satírico, mordaz; aquilo que é usado para lançar veneno, para ferir, para atacar, etc. A Nossa Candeia agraciou o AyyapaExpress com esta distinção que nos toca e que agradecemos. Compete-nos agora lançar mais dardos e envolver outros blogues nesta distinção. Fá-lo-ei em breve. Obrigado.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Acordo eminente numa televisão perto de si
Que frisson! Não me emocionava tanto desde que Cavaco anunciou a sua candidatura. Que jogo de cintura senhores e com plano B e tudo. Durante uns dias até fiquei convencido de que Catroga e Santos não tinham os respectivos números de telemóvel. Pergunto para quê este jogo político? Parecem tricas de Junta de Freguesia do Portugal profundo, com todo o respeito: não jogo mais à sueca com o José Santos; e eu não vou mais à caça com o Eduardo Coelho. Que vergonha! Esta elite política do centro está gasta, corrupta desprovida de ética. Façam política, não concorram com reality shows porque perdem sempre. Façam politica se ainda sabem o que isso é.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
Boca a boca
Quando um artigo de jornal começa com: “Estudo mostra que...”, só temos que nos curvar perante tanta ciência. No caso vertente um artigo do DN sobre socorrismo só confirma a minha opinião. Eu também acho que quem não tem formação em boca a boca deverá fazer boca a outra coisa qualquer, não se correndo assim o risco de perturbar a percentagem de sucesso dos dados apontados no estudo. É uma investigação de uma entidade americana, evidentemente, aqueles que colocam bips em todos os fucks. Percebe-se que defendam a mão no coração em detrimento de manobras mais íntimas que são comparáveis a sexo antes do casamento, logo condenáveis e impeditivas da ressuscitação.
sábado, 23 de outubro de 2010
Nostalgia de la luz - Patricio Guzmán - Extracto 3
Não percam se for exibido no circuito comercial. Uma parábola que se joga entre o passado do Universo e o passado recente do Chile. Magistral.
sábado, 16 de outubro de 2010
Zaping
Confesso que esta economia politica me ultrapassa. Confesso que via mais claro há uns anos atrás. Confesso que este capitalismo democrático me engana. Confesso que já não os posso ouvir. Confesso que a minha vontade é emigrar mas para um lugar do Mundo onde não se fale europês. Confesso que a língua portuguesa evoluiu muito; agora, é possível discursar através de infindáveis neo-advérbios e, no final, parece que todos têm razão. Os gajos invadem tudo o que é media e debitam longas e penosas construções de real ficção. Os gajos acham que dizem verdade, todos dizem a verdade. A verdade passou a ser supra partidária. O economês, o politiquês, o financês, passaram a fazer parte da nossa pró e contra cultura politico-sócio-económica. No nosso quotidiano muidinho, qualquer viagem de metro é um fórum aberto sobre ratings, off-shores, dívida pública, altos preços do petróleo. O Parlamento passou a concorrer com todos os Big brothers e discute shares televisivos ao milímetro. O zaping é agora entre os mineiros vedetas, as alternativas tipo Coelho/cartola, as gajas da casa da TVI e o brand ou crude. As coisas que nós sabemos! Temos o Orçamento connosco, obrigado portugueses. Fod...-se
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Metro
O projectista da estação de Metro de S. Sebastião, na ligação da linha vermelha com a linha azul, merece os nossos cumprimentos, diria mesmo, os nossos calorosos cumprimentos. Neste local, sente-se o calor humano, as pessoas roçam-se umas nas outras, há muito afecto, muito cheiro, muito corpo. Diria que é uma ligação de linhas quase sexual. São estreitas escadas de prazer quando chega um comboio, o mesmo que vai partir. Se acaso houver uma situação de pânico nessas instalações, não culpem o projectista pelos corpos espezinhados. A sua intenção era apenas estreitar o calor humano e as relações íntimas, cada vez mais ausentes do nosso quotidiano.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
OE 2011
Estava-me a apetecer escrever sobre o OGE mas tenho receio de que antes do fim do texto, me cobrem quatro ou cinco consoantes e que o resultado seja ininteligível. Já não estou a usar muitas vírgulas porque faltam e, pontos e vírgula, nem falar. Ainda me lembro do Jorge Sampaio dizer que havia vida para além do défice. Sorte a dele que a Merkl não lhe tenha cortado as vogais para não dizer o pio. Estamos a satisfazer as agências de rating (perigosa semelhança com rato) e estamos orgulhosos por a pátria não ser caloteira e defender o euro mesmo sem palavras. Defender o euro e crescer negativamente é um futuro brilhante! Estava a apetecer-me escrever sobre o OGE mas teria que usar outra gramática com vogais menos europeias, consoantes menos alemãs, orações menos dolorosas e verbos conjugados no futuro ...incondicional.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Orçamento 2011
José Pedro Passos Sócrates Coelho.
OCDE recomenda rigorosos cortes nas despesas com testosterona.
OCDE recomenda rigorosos cortes nas despesas com testosterona.
sábado, 18 de setembro de 2010
Vergonha
Não ficam envergonhados quando ouvem os argumentos do líder da bancada parlamentar do PS sobre o "cigano" do Sarko; não sentem vergonha quando ouvem Cavaco Silva dissertar sobre a ordenha das vacas magras; não vos incomoda que o Gilberto da bola vá à procura do D. Sebastião; não sentem calafrios quando os "problemas informáticos" dominam a actualidade jurídica; por estas e por outras, quando viajo e me perguntam a nacionalidade digo sempre que sou de Aruba e que falo papiamento uma espécie de português tropical que não faz parte, hélas, da CPLP.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Tai Chi Taoista
A Associação de Tai Chi Taoista de Portugal (ATCTP) é uma Entidade Sem Fins Lucrativos, membro da International Taoist Tai Chi Society (ITTCS - Associação Internacional de Tai Chi Taoista) fundada pelo Mestre Moy Lin-shin, monge Taoista que emigrou para o Canadá em 1970, com o objectivo de dar a conhecer os ensinamentos taoistas no Ocidente.
A ITTCS está representada em 26 países e aproximadamente 500 comunidades existindo em Portugal desde 1994. Disponibiliza aos seus associados treino nas artes enraizadas na tradição taoista, nomeadamente:
Tai Chi Chuan (taijiquan)
Tai Chi Espada e Sabre
Hsing I (Inspirado nas formas de luta dos animais)
Lok Hup Ba Fa (o Boxe da água)
Chi Kung (circulação da energia no corpo),
Meditação, Cânticos, Cerimónias e
Estudo dos Textos Taoistas - em colaboração com o Fung Loy Kok Institute of Taoism, no Canadá.
A ATCTP tem sede na Rua Rodrigues Sampaio, 112 cv-D em Lisboa, onde faculta aprendizagem da forma de Tai Chi, composta por uma série de 108 movimentos praticados de forma suave com vista à saúde e bem-estar para o corpo e mente. Os instrutores são voluntários, recebem treino permanente e são acreditados anualmente. São quatro os princípios que orientam a actividade da associação:
1. Tornar o Tai Chi Taoista acessível a todas as pessoas.
2. Promover os efeitos benéficos do Tai Chi Taoista para a saúde.
3. Promover o intercâmbio cultural.
4. Ajudar os outros.
A ATCTP abriu a sua página no Facebook que será um espaço de partilha de informação e um poderoso instrumento de comunicação sobre as actividades da Associação em Portugal e no Mundo.
A ITTCS está representada em 26 países e aproximadamente 500 comunidades existindo em Portugal desde 1994. Disponibiliza aos seus associados treino nas artes enraizadas na tradição taoista, nomeadamente:
Tai Chi Chuan (taijiquan)
Tai Chi Espada e Sabre
Hsing I (Inspirado nas formas de luta dos animais)
Lok Hup Ba Fa (o Boxe da água)
Chi Kung (circulação da energia no corpo),
Meditação, Cânticos, Cerimónias e
Estudo dos Textos Taoistas - em colaboração com o Fung Loy Kok Institute of Taoism, no Canadá.
A ATCTP tem sede na Rua Rodrigues Sampaio, 112 cv-D em Lisboa, onde faculta aprendizagem da forma de Tai Chi, composta por uma série de 108 movimentos praticados de forma suave com vista à saúde e bem-estar para o corpo e mente. Os instrutores são voluntários, recebem treino permanente e são acreditados anualmente. São quatro os princípios que orientam a actividade da associação:
1. Tornar o Tai Chi Taoista acessível a todas as pessoas.
2. Promover os efeitos benéficos do Tai Chi Taoista para a saúde.
3. Promover o intercâmbio cultural.
4. Ajudar os outros.
A ATCTP abriu a sua página no Facebook que será um espaço de partilha de informação e um poderoso instrumento de comunicação sobre as actividades da Associação em Portugal e no Mundo.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Poucas vergonhas
Porque é que quando um grupo de vestidos ocupa uma praia de nudistas nada acontece! Em contrapartida, se um grupo de nudistas entra numa praia de vestidos. — aqui del-rei que poucas vergonhas ... a mostrarem as partes íntimas às pobres criancinhas que só conhecem nus virtuais de Playstation ... Valha-nos Deus vamos é chamar a GNR e já! Ora eu interrogo-me se a Constituição da República descrimina positivamente cidadãos vestidos em detrimento de cidadãos nus. Não acredito que tal possa acontecer com uma Constituição tão moderna e ousada ainda que redigida por pessoas muito bem vestidas. Por isso minhas senhoras e meus senhores fiquem lá nas vossas praias superlotadas, a cheirar o protector solar do vizinho, a pisar beatas e a ouvir conversas de telemóvel e deixem-nos em paz, nos nossos sítios, nus e pudibundos.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
Património urbano
Mudei de casa. Agora avisto alguns telhados e outros ritmos visuais desta cidade. E muitas chaminés de restaurantes, aqueles tubos zincados que supostamente devem evitar que os cheiros das cozinhas entrem pela casa dos moradores. Acontece que a maioria dessas chaminés não chega à cumeeira dos telhados onde estão instaladas. Por outro lado não têm em conta a altura dos prédios circundantes. Além de esteticamente horríveis não cumprem a função para que foram destinadas e, paira no bairro, um ar gorduroso e refogado. Presumo que os fiscais da câmara e os autores desta lei, também façam as suas refeições nestes restaurantes. Por isso, muitas vezes quando me falam em defesa do património, cheira-me a iscas.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Calor
Na esquina de uma paragem de autocarro, num dia de calor brutal (muito pior que o ano passado!), o meu amigo José desenhou-me a sociologia das preocupações nacionais, debatida no fórum dos transportes públicos:
1 - Meteorologia nas suas vertentes mais importantes,
a) o calor e o frio;
b) o incêndio ou a inundação.
2. Vida quotidiana,
a) a minha doença é pior que a tua;
b) o meu chefe é pior que o teu.
Este estudo de campo prova que ninguém quer saber o que pensa o poderoso ou monárquico PGR e muito menos que livros os políticos levam para férias. Apesar de tudo eu continuo a pensar que o chefe do PGR é pior que o chefe da esquadrilha de submarinos.
1 - Meteorologia nas suas vertentes mais importantes,
a) o calor e o frio;
b) o incêndio ou a inundação.
2. Vida quotidiana,
a) a minha doença é pior que a tua;
b) o meu chefe é pior que o teu.
Este estudo de campo prova que ninguém quer saber o que pensa o poderoso ou monárquico PGR e muito menos que livros os políticos levam para férias. Apesar de tudo eu continuo a pensar que o chefe do PGR é pior que o chefe da esquadrilha de submarinos.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Modas
Almoçando (não se deve começar frases por gerúndio), num restaurante em Lisboa numa zona de serviços, deu-me para observar as vestes dos clientes. Os quadros das nossas empresas vestem azul celeste, azul bebé, azul acinzentado, cinzento azulado. Fatos cinzentos, com mais ou menos brilho da seda sintética ou azul profundo, diria mesmo aquoso e as gravatas. Grande ousadia que varia entre o azul também profundo e o grená e um ou outro raríssimo verde turquesa, com riscas a contrastar ou de padrão liso na versão mais inteligente social. Grandes rasgos de liberdade nas camisas às riscas verticais num branco mais ou menos largo. Vendo-os vestir assim percebe-se como pensam: cinzento acinzentado.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Os amanhãs que cantam
Mas de que nos queixamos? Afinal o PSD está praticamente marxista. Oiçam Calvão da Silva que defende integralmente o Estado Social — a cada um segundo as suas necessidades e de cada um segundo as suas possibilidades. Podem discordar mas terão que apresentar razões atendíveis. Que cansaço!
segunda-feira, 19 de julho de 2010
O tio PPC
De repente, Pedro Passos Coelho ficou velho. Já tem duplo queixo como qualquer tio de meia idade, perdeu o brilho das efémeras lantejoulas. Claro que não quer apresentar nenhuma moção de censura, ninguém quer governar nestas condições, não dá dividendos políticos. Mas PPC diz que faz propostas para o futuro. Esta "novidade" de o Presidente da República poder demitir o Governo, esta ideia afrancesada, claro que é uma ideia de futuro como ele próprio afirma, uma ideia para quando PPC se candidatar à Presidência da República, uma coisa para daqui a dez anos. Mais um verdadeiro salvador da pátria, mais um messias iluminado, mais uma figura fotocópia das várias, muitas personalidades que Portugal teima em produzir para consumo interno. Clones da história. Que cansaço!
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Repartições
Tenho passado estes últimos tempos de Repartição de Finanças em Repartição de Finanças, de Conservatória em Conservatória, de Câmara Municipal em Câmara Municipal. A burocracia está, é um facto, cada vez mais digitalizada mas, a sua natureza, a extrema “complexidade” dos impressos na maior parte dos casos também mal desenhados e obscuros, a quantidade de papel e de dados para tratar um problema é de tal monta que anula qualquer tentativa simplex ou simplis e, funcionamos de facto, em câmara lenta. Enquanto se espera há quem fale ao telemóvel, há quem leia o destak do dia, há quem tenha os olhos no vazio. Eu observo. E observo que nestas oficinas do Estado, nestes subterrâneos do quotidiano, o elenco é sempre o mesmo. Os actores destas horas infindáveis de espera, deste total desconhecimento dos labirintos impressos ou digitalizados, desta sujeição às várias prepotências de funcionários de discurso codificado e hermético, o actor deste real social é sempre o povo. O povo sereno do discurso de Almirante, o povo conformado e taciturno, o povo pobre ou remediado. São sempre os mesmos que pagam os vários impostos, as multas ditas coimas, as imensas siglas transformadas em febras de engorda Tesouraria. Onde estão os outros? Nestas bichas (que me desculpem mas continuo a dizer bichas), perdem-se horas de trabalho, é permanente a ansiedade na espera do anúncio do número que se tem na mão e, quando se olha para as pessoas, sente-se uma enorme tensão como se fossem ser interrogadas por uma qualquer polícia. Os funcionários atiram com os vários códigos sublinhados a amarelo e, escudam-se nessa autoridade, nem vendo quem têm na frente. Tive a clara sensação de regressar aos anos sessenta e fiquei contente e rejuvenescido. Comemorei com uma imperial no café Lisboa. Já não existe?
sexta-feira, 11 de junho de 2010
O peso do ser
Quem não pode arreia costuma-se dizer. A frase do PR quando acha insustentável a situação é pasto para especuladores e total descrédito para o Mundo. O PR não sabe o que diz. Eu estou mesmo farto do insustentável peso de ser representado por um tão leve e fútil pensamento.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
O PS apoia Manuel Alegre
O escorpião resolveu mudar de casa e por isso saiu à procura de um lugar que lhe agradasse. No caminho encontrou um rio e, como sabia que não conseguiria atravessa-lo, propôs a uma rã que o levasse às costas até o outro lado.
A rã, conhecendo a reputação do escorpião, perguntou desconfiada:
— O que me garante que não me vais matar? O escorpião, sedutor, respondeu:
— Não faz sentido teres medo de mim porque se eu te matar, também morrerei.
— E quando chegarmos ao outro lado?
— Ficarei tão agradecido que podes estar descansada.
Os argumentos do escorpião eram lógicos e a rã ficou convencida de sua sinceridade. Por isso permitiu que ele se acomodasse nas suas costas e iniciaram a travessia. Quando chegaram ao meio do rio, o escorpião deu-se conta de que ficaria a dever um favor à rã e, não se conformando, ergueu o ferrão, ferindo-a mortalmente. Ao sentir a dor da picada, a rã perguntou ao escorpião porquê, uma vez que assim, os dois iriam morrer, e este respondeu:
— Desculpa é a minha natureza … não pude evitar, agora vou-me agarrar aquele cavaco e tentar chegar à outra margem disse o escorpião à rã já cor de laranja do veneno.
Interpretação selvagem de uma fábula atribuída a Esopo
A rã, conhecendo a reputação do escorpião, perguntou desconfiada:
— O que me garante que não me vais matar? O escorpião, sedutor, respondeu:
— Não faz sentido teres medo de mim porque se eu te matar, também morrerei.
— E quando chegarmos ao outro lado?
— Ficarei tão agradecido que podes estar descansada.
Os argumentos do escorpião eram lógicos e a rã ficou convencida de sua sinceridade. Por isso permitiu que ele se acomodasse nas suas costas e iniciaram a travessia. Quando chegaram ao meio do rio, o escorpião deu-se conta de que ficaria a dever um favor à rã e, não se conformando, ergueu o ferrão, ferindo-a mortalmente. Ao sentir a dor da picada, a rã perguntou ao escorpião porquê, uma vez que assim, os dois iriam morrer, e este respondeu:
— Desculpa é a minha natureza … não pude evitar, agora vou-me agarrar aquele cavaco e tentar chegar à outra margem disse o escorpião à rã já cor de laranja do veneno.
Interpretação selvagem de uma fábula atribuída a Esopo
quinta-feira, 20 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Leo Ferre Les Anarchistes
O que me vai na alma é o princípio de uma revolta contra estes países brancos e engravatados, contra estes políticos sem soluções nem perspectivas, contra o principio do funeral de alguma hipótese de felicidade. Vivemos num espaço económico obscenamente rico com milhões de pobres, desperdiçamos toneladas de alimentos e medicamentos, pagamos a muitos milhares de funcionários para gerirem esta Europa do Atlântico aos Urais. Temos exércitos, polícias várias, aceleradores de partículas, submarinos, o Barroso, o Sócrates. O Euro até já é trocado no mercado negro de Nova Delhi. Somos uma fortaleza praticamente inexpugnável para os pobres de outras cores e, no entanto, não conseguimos montar um espaço Schengen contra os especuladores financeiros. Somos um bloco político-económico incompetente. As soluções que os nossos dirigentes encontram são sempre as mesmas. A crise é permanente, as soluções já testadas e aplicadas mantêm a crise, alimentam a crise, castram a inovação e o desenvolvimento, matam as ideias de progresso, reduzem os povos a consumidores desqualificados, a cidadãos infelizes e tristes. Fizeram-se sessenta e oitos e vinte cincos, recentemente o planeta exultou com um D. Sebastião preto, Berlusconni paga 300.000 euros mensais à sua ex. Já não há mais paciência para o diálogo, para a compreensão, para a tolerância de ponto. O que me vai na alma é voltar a apetecer-me andar ao estalo, falar a palavra do pavé, anarquizar!
terça-feira, 11 de maio de 2010
A propósito de discursos de aeroporto militar
Para o Dalai Lama, a verdade é relativa. Perceber que não há axiomas inquestionáveis e tentar encarar as situações sob todos os ângulos, antes de tomar uma atitude, é fundamental. Mas leva o seu tempo e requer alguns exercícios. A mente humana teria a tendência de elevar as próprias ideias à condição de verdades inexoráveis. Diante de uma situação de discórdia, diz Dalai, o sujeito enche-se de argumentos que o levam a tomar determinadas atitudes a partir do seu ponto de vista unilateral, desconsiderando a trajectória dos outros envolvidos.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
A Europa não existe
Afinal a Europa não existe. Mesmo com este programa de 600 mil milhões de euros para apoiar os elos mais fracos desta suposta federação. O capital financeiro especulativo é a Europa. O Banco Central Europeu, o senhorio que nos faz subir ou descer a “renda” de casa é, afinal, uma entidade mítica. O BCE não pode emprestar dinheiro aos estados nem gerir um orçamento comum. O BCE empresta dinheiro aos especuladores que por sua vez o empresta aos estados com a selvajaria e o descontrolo conhecidos. E Portugal lá embarca nesta ficção dolorosa, reduz investimentos, vai aumentar os impostos, vai exportar cintos com mais furos que é a única coisa que se consegue vender nos países do Sul. A Europa é assim porque quer e porque os EUA querem. Porque não tem lideranças fortes. Porque se deixa conduzir por banqueiros de segunda e políticos de terceira. É uma ideia forte que enfraquece na adoração monoteísta do deus mercado. Cada vez é mais importante e vital que comecemos a diversificar. Ainda não queremos ser todos alemães.
domingo, 9 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Indicadores fiáveis
A publicidade é um dos melhores indicadores do estado de um país e representa a forma mais apurada de comunicação marketing/venda/persuasão/informação. Pelo exemplo que vemos temos que considerar que o estado do país é deplorável.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Manobras de Maio
Apoio a visita de Bento XVI. Habitualmente só nos visitam estrelas pop mais ou menos decadentes, actores de telenovela chungas e um ou outro chefe de Estado. Desta vez as nossas forças de segurança vão tirar a barriguinha de misérias. Cerca de 8000 agentes, segundo o Público, vão segurar a visita de 4 dias. São umas manobras como já não se viam há muito tempo. Desenferrugar o armamento, retirar caixotes do lixo por causa das bombas, autuar os carros estacionados nas ruas do percurso, tomar atitudes de autoridade coisa já esquecida dos nossos polícias, excepto quando cortam cabeças no posto. Só lamento não podermos utilizar os novos submarinos na segurança de sua santíssima santidade. Será que não é possível colocá-los no Tejo, por detrás do púlpito inspirado por uma grande pedra, armados com uns mísseis Stinger de plástico só para as televisões?
domingo, 2 de maio de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
...o pão nosso de cada dia nos dai hoje... não nos deixeis cair em tentação...
Quem acredita em homens com saiotes arrendados e saias púrpura e ouro? Homens que fizeram voto de celibato mas cujos olhos em transe se arrastam pelos corpos do rebanho à espera de uma oportunidade pecadora no recato da pia de água benta. Homens que se masturbam com chicotes em práticas medievais sado-masoquistas. Homens que dizem que dão a outra face mas que buscam a outra nádega. Que violam crianças inocentes e aterrorizadas com o poder da verga como se fosse um ceptro de sarça ardente e que espezinham a ignorância praticando a ignomínia. E são tantos os chamados pecadores e ainda mais os que os encobrem que está na hora de novo cisma neste caso entre a igreja e os homens. Que fiquem os homens e que os pedófilos e encobridores sejam realmente condenados à fogueira numa operação de castração a quente. Seria apenas mais um ritual de purificação. Já não se podem ouvir os senhores padres invocando argumentos corporativos. É de crime que estamos a falar e os criminosos, ainda que de saia e batina, devem bater com os costados na prisão. Com sorte e um bom advogado do diabo, serão perdoados da coroa de espinhos e da crucificação.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Unidose
Está-me a fazer uma certa urticária esta "complexidade" da impossibilidade de medicamentos em unidose. Como todos sabemos precisamos de duas aspirinas mas a caixa é de cinquenta e isto é válido para todos os medicamentos. Continuamos a pagar e a gastar alegremente recursos, energia, economia. Todos os argumentos são bons para termos verdadeiras farmácias em casa. É a única actividade humana em que as empresas não temem a concorrência doméstica. Viajo já há alguns anos pela Ásia e pelo menos desde há vinte anos, os países da Ásia do Sul resolveram o problema. Pois bem os laboratórios vendem caixas de cem, ok nós separamos em pequenos conjuntos de dez. Os próprios médicos na sua receita indicam o número de comprimidos a tomar e é isso que se compra nas farmácias sejam elas de medicina tradicional ou alopática. Mas está claro que estamos a falar de países apenas em vias de desenvolvimento onde estas práticas bárbaras são admissíveis. Tendo em conta que vivemos em sociedades com a paranóia da higiene e da segurança não se imagina que um farmacêutico possa vender pequenas doses, retiradas da grande caixa, fora de prazo ou sem todos os cuidados de higiene. Por isso parece-me simples esta questão: não vale a pena conversar com os laboratórios vinte anos para que alterem a linha de fabrico...abram as caixas porra!
quarta-feira, 31 de março de 2010
Primeiro de Abril
Não, a imprensa não foi inteligente, devia ter guardado as notícias dos submarinos para o primeiro de Abril. E as notícias de padres pedófilos e as notícias da inércia paquidérmica de Jaime Gama, as notícias do chumbo do orçamento da CML são todas notícias de primeiro de Abril. São, como se sabe, mentiras reais cuja publicação fora de época não ajuda nada o cidadão a compreender o Mundo.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Babel
Acabo de chegar da sarkolândia onde os teclados são “azert”, mais ou menos a mesma filosofia que as medidas inglesas. Escrever em “azert”, mal sabem os franceses, aproxima-nos do Acordo Ortográfico Luso Brasileiro ou melhor, leva-nos a escrever bastantes brasileirices porque não encontramos quer os acentos, quer as letras no sítio. Por isso optei por esperar até alcançar um teclado “qwert”, genuinamente português. Não critico os azertianos que dizem à boca pequena — the key board c’est nous — enquanto pronunciam várias onomatopeias divertidas que tornam a escuta num passeio num rio com ondas, ouiiiã! Sarko e a sua maioria levaram uma forte bordoada nas primeira e segunda voltas das eleições regionais que terminaram Domingo passado. Mas para Sarko, qual azert, l’état c’est moi! Já estava com saudades de olhar a fonte cinética de Niki de Saint Phalle cujas águas reflectem a “refinaria” de Beaubourg; de tomar um panaché (aqui ainda não se diz Pinochet) et pour cause, num café próximo da Bastilha; de saborear um kir como aperitivo ouvindo a conversa banal das manhãs ociosas; de me emocionar com a morte de Jean Ferrat que dizia como Aragon que a mulher é o futuro do Homem. Et que sont belles les femmes, mesmo no presente! Paris ainda é uma Babel que nos ilude como se todo o Mundo que ouvimos nas ruas, estivesse em paz e harmonia, houvesse justiça e equilíbrio, ninguém morresse de solidão nos parques onde despontam as primeiras flores da Primavera.
quarta-feira, 10 de março de 2010
O mais alto magistrado da banalidade
O entrevistado esteve bem para a entrevistadora; a entrevistadora esteve bem para o entrevistado. Banalidades, lugares comuns, o povo e o PR são serenos. Viva Portugal!
segunda-feira, 8 de março de 2010
Woman is immeasurably man’s superior MAHATMA GANDHI
Uma história a propósito do dia internacional da Mulher
quinta-feira, 4 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Desemprego
Recebi um documento dos CTT para ir desalfandegar uma encomenda da Índia: 3 pequenos livros. Lá fui a Cabo Ruivo, dirigi-me ao balcão e a funcionária diz-me para recolher as senhas B e C. Assim fiz e encaminhou-me para outro balcão para entregar a senha C e o documento que trazia comigo com o custo dos livros. Verificação, agrafe, carimbo e indica-me o balcão onde tinha estado anteriormente. Entreguei então a senha B, nova verificação mais carimbo e pede-me para recolher a senha A enquanto chama um funcionário para procurar a minha encomenda. Espero no guichet da senha A, vem uma outra funcionária que me pede o BI e que escreva, em letra legível, o meu nome — assinatura não, o nome bem legível! Ok digo eu e assim faço. Mais um carimbo, toca uma campainha e diz-me para me dirigir ao guichet do lado. Lá vem vindo outro funcionário do fundo do armazém, verifica o meu papel e entrega-me, finalmente a minha encomenda. Devo dizer que me recuso a acreditar em estatísticas. Não há desemprego em Portugal.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Bombay 2
" India was always a collection of communal and cultural identities; our hope lies in the strengthening of them, not in their dilution into some imagined 'Indianness'. If I know who I am, I'm going to be confident enough, secure enough, not to fear and hate those who I'm not. It's only when my self-definition is in question that I'm going to be anxious, to seek to establish the bounderies between Self and the Other, to riot and to burn."
Fragmento de entrevista a Suketu Metha autor de Maximum city: Bombay lost and found, recolhida por Shoma Chaudhury editora da revista Tehelka.
Fragmento de entrevista a Suketu Metha autor de Maximum city: Bombay lost and found, recolhida por Shoma Chaudhury editora da revista Tehelka.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Bombay 1
"If you are late for work in the morning in Bombay, and you reach the station just as the train is leaving the platform, you can run up to the packed compartments and you will find many hands stretching out to grab you on board, unfolding outwards from bodies like petals from a flower. As you run alongside the train, you will be picked up and some tiny space will be made for your feet on the edge of the compartment. The rest is up to you; you will probably have to hang on with your fingertips on the door frame, being careful not to lean out too far lest you get decapitated by a pole placed too close to the tracks.
But consider what has happened: Your fellow passengers, already packed tighter than cattle are legally allowed to be, their shirts already drenched in sweat in the badly ventilated compartment, standing like this for an hour, retain an empathy for you, know that your boss might yell at you or cut your pay if you miss the train, and will manufacture space where none exists to take one more person with them. And at the moment of contact, they do not know if the hand that is reaching for theirs belongs to a Hindu or a Muslim or Christian or Brahmin or untouchable, or whether you live in Malabar Hill or New York or Jogeshwari. You're trying to get to work in the city of gold, and that's enough. Come on board they say. We'll adjust"
Fragmento de entrevista a Suketu Metha autor de Maximum city: Bombay lost and found, recolhida por Shoma Chaudhury editora da revista Tehelka.
But consider what has happened: Your fellow passengers, already packed tighter than cattle are legally allowed to be, their shirts already drenched in sweat in the badly ventilated compartment, standing like this for an hour, retain an empathy for you, know that your boss might yell at you or cut your pay if you miss the train, and will manufacture space where none exists to take one more person with them. And at the moment of contact, they do not know if the hand that is reaching for theirs belongs to a Hindu or a Muslim or Christian or Brahmin or untouchable, or whether you live in Malabar Hill or New York or Jogeshwari. You're trying to get to work in the city of gold, and that's enough. Come on board they say. We'll adjust"
Fragmento de entrevista a Suketu Metha autor de Maximum city: Bombay lost and found, recolhida por Shoma Chaudhury editora da revista Tehelka.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Claustrofobia democrática asfixiante
Estou aqui mesmo preocupado com a liberdade de expressão! Coitadita da Manuela Leite que a esta hora estará quase asfixiada, sendo salva, in extremis, pelo profundo conhecimento de primeiros socorros de Paulo Rangel; conhecimento adquirido durante o 25 de Abril o que lhe permitiu salvar várias pessoas de morrerem asfixiadas em demasiada liberdade. Tenho também muita pena de Felícia Cabrita, Manuela Moura Guedes entre outros exemplares jornalistas, estiolando ao Sol, a voz seca de tanto gritar pela liberdade de expressão, o corpo já infestado de vermes torturadores e repressivos. A pena, seca de tanta perseguição, molhada no próprio sangue para construir a notícia livre e imparcial. Eu próprio estou com receio de publicar este post, não vá o tenebroso controlador português, mandar-me prender no minuto seguinte. Apesar de tudo acho que vou arriscar, é apenas um blogue!
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Presidenciais
“Mas há sempre uma candeia dentro da própria desgraça, há sempre alguém que semeia trovas no vento que passa”. Este verso de Manuel Alegre poderia servir muito bem para mote da candidatura de Fernando Nobre à presidência da República. Como poderia servir de mote a mais uma campanha de solidariedade na resolução de mais uma qualquer catástrofe onde o médico Fernando Nobre desempenha, sempre, um papel crucial. Há quem diga que esta candidatura de Fernando Nobre é uma acção velada da eminência parda Mário Soares. Sabendo-se como funciona a cabeça de Mário Soares, é plausível que possa ser assim. O PS fica, deste modo, aliviadíssimo por não ter que apresentar uma candidatura Leliana ou Caniana, apoiando objectivamente a reeleição de Cavaco Silva. Mas a “aparição” de Fernando Nobre nesta cena politica introduz novos dados. Sabemos que é uma personalidade impoluta, leal às causas do Homem, solidário, combativo. Mal acomparado, é como os jogadores de futebol que concorrem às câmaras municipais. O mediatismo do chuto na bola ilude-os e fá-los crer habilitados a desempenhar cargos públicos. Claro que Fernando Nobre não é o CR9 mas o campo da política não é um campo de refugiados e receio que iremos trocar um Homem Bom por um político medíocre. Ficarão alegres Soares e Cavaco.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Avatar sem final feliz
Nas florestas indianas de Orissa, bem longe de Hollywood, os Dongria Kondh, lutam para preservar o seu espaço sagrado e vital.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Morte de uma língua velha de 70 000 anos
Com a morte do último falante de Bo uma língua das Ilhas Andaman, Índia, desaparece igualmente esta língua velha de 70 000 anos. É a confirmação do relatório da Unesco que alerta para o risco de desaparecimento de 2500 línguas.
Exercício corporal
"Há aqui uma história de mãos. Trata-se dos terríveis trabalhadores rimbaldianos que trabalham o pesadelo. Têm o primeiro dia da sua criação, e nele colocam uma negra rosa de ferro. Têm o segundo dia, e há a explosão de um minério obscuro, ainda que ardente. No terceiro dia da sua tenebrosa tarefa, eles levantam do abismo um peixe desaforado. E no quarto dia, no quinto, e no sexto dia da sua atormentada criação, vão martelando com uma paciência cruel as demoníacas máquinas do sonho. E no sétimo dia eles contemplam a sua obra, e não sentem contentamento. O sétimo dia está cheio, desde o fundo, daquele feroz martelar, que é o martelar do coração sombrio onde o sangue é violento. Sai-lhes das mãos uma geometria difícil que não dá paz. E então, porque o tempo de expor o exemplo inquietante não se pode esgotar, os horríveis trabalhadores inventam o oitavo dia, que é como a eternidade. O espírito de Deus não se move sobre as águas. Este oitavo dia da criação é um espaço ilimitado de trevas onde um pássaro voraz abre as asas inesgotáveis. E então a gente sabe que a alegria e a beleza são coisas dolorosas."
Herberto Helder, exercício corporal I in Poesia Toda
Herberto Helder, exercício corporal I in Poesia Toda
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Com tensão
Senhor Governador do Banco de Portugal dê o exemplo das fortes medidas de contenção que apregoa e institua-se a si próprio e aos seus pares, um pequeno imposto indirecto que consistiria, por exemplo, num corte anual dos vossos salários em 30%. Sabemos que não é isso que vai reduzir o défice mas seria um pequeno exemplo de moral e de higiene política. Além do mais os salários dos altos quadros do Banco de Portugal ficariam mais equiparados aos dos congéneres mundiais.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
sábado, 30 de janeiro de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Do portanto ao naturalmente
Há uns anos a muleta preferida na linguagem dos portugueses era o portanto, bela e assertiva preposição. Dava força à linguagem militante e era, em si própria, conclusiva, portanto, apontava o caminho. Mesmo nos discursos inconclusivos ela concluía, imperial. Hoje, naturalmente, as coisas mudaram. Surgiu naturalmente, o naturalmente. Advérbio inter-classista, ele é emitido, naturalmente, por políticos, deputados, taxistas, politólogos, comentadores vários, treinadores, electricistas, novos ricos, entre outros. Culturalmente é importante esta identificação à volta de um advérbio tipo selecção nacional e podemos dizer que, naturalmente, é mais importante aquilo que nos une do que aquilo que nos divide. Além do mais na sua raiz está o substantivo natural, substantivo naturalmente ecológico e, por enquanto, sustentável. Direi que naturalmente é o avatar dos advérbios, portanto, um advérbio verde, com preocupações ambientais, pleno de potencialidades e de futuro. Longa vida, portanto, ao naturalmente.
sábado, 23 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Futurologia
A eleição de Manuel Alegre como presidente da República, fecha um ciclo político em Portugal. Assim, a partir de 2015, mas já perceptível hoje, vamos ser um país totalmente previsível. Quarenta anos depois do 25 de Abril já não se poderá falar de jovem democracia portuguesa. Aos quarenta anos as mulheres e os homens estarão, eventualmente, aptos a tomarem decisões importantes. Aos quarenta anos a democracia portuguesa estará carente de valores, de ideais, de gente superior. Políticos de qualidade mediana sem visão nem rasgo, funcionários exemplares que terão sido estudantes igualmente exemplares, aplicados, devotados ao partido e à progressão na carreira, ocuparão o espaço botox e siliconado dos vários areópagos onde se ouvirão discursos tecnocráticos e debotados. A ruga precoce dará credibilidade a ideias ocas. A política vai perder élan e a citação de algumas frases revolucionárias será mera história antiga.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Apocalypse now
Do Haiti apenas conheço histórias verdadeiramente cruéis de Ton Ton Makutes, a cara da criança crioula de cabelo amarelo olhos da cor da esperança do mar das Caraíbas, o riso franco à volta da comida e o cheiro da dança. São memórias antigas de estrangeirados que fizeram un bout de chemin ensemble. Hoje, já não consigo ver as imagens dos vários aprendizes de CNN. Vai ser mais uma narrativa audiovisual da catástrofe: as tentativas para salvar os soterrados em close-up; as entrevistas com as várias organizações de ajuda humanitária; a reportagem “em exclusivo” do trabalho das organizações; uma qualquer raridade de alguém que, ao fim de 10 dias, felizmente se salvou; os vários planos dos olhos inesquecíveis de quem falou com a morte. Mas, pergunto-me, como será abraçar um haitiano e dizer-lhe meu irmão a tua é a minha dor, toma as minhas lágrimas e mata com elas a tua sede.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
A ferida democrática
O jornal Público informa que o porta-voz da Conferência Episcopal considera que a aprovação da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo pelo Governo e pelo Parlamento foi uma precipitação e que a ausência de um referendo sobre a matéria abre "uma ferida democrática".
Senhores bispos ponderem e aprofundem o tempo que precisarem sobre a pedofilia nas vossas fileiras mas não se metam em assuntos ímpios e mundanos. Essa da ferida democrática não lembraria nem a Pio XII.
Senhores bispos ponderem e aprofundem o tempo que precisarem sobre a pedofilia nas vossas fileiras mas não se metam em assuntos ímpios e mundanos. Essa da ferida democrática não lembraria nem a Pio XII.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Kumba Mela
Decorre este ano uma das maiores manifestações do homem neste planeta, a Kumba Mela. Astrologicamente este evento ocorre de doze em doze anos quando o planeta Júpiter entra em Aquário e o Sol em Carneiro.
Segundo os hindus é uma peregrinação para a purificação. Este ano Haridwar, uma das cidades sagradas da Índia, é o centro do acontecimento. Aí vão confluir as águas do rio Ganges e milhões de peregrinos e de ascetas. É um acontecimento verdadeiramente extraordinário e profundamente humano. Mais informação aqui.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
domingo, 3 de janeiro de 2010
Sobre a verticalidade
"Os bravos aguentam a pé firme, as árvores aprendem com eles a erguer-se".
Abu-F-Fazl in Akbar Námá
Abu-F-Fazl in Akbar Námá
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Livros
Nesta época comercial e para um ateu como eu, sabe bem ler as palavras do cardeal patriarca de Lisboa saudando os que acreditam “num Deus único”, louvando os seguidores das religiões do livro, os descendentes de Abraão.
É clarificador e tranquilizador esta visão parcial e discriminatória da Humanidade, esta visão objectiva, sem rodeios nem eufemismos da posição da Igreja. Mal aventurados os que acreditam em vários deuses e nas múltiplas e complexas manifestações do divino; mal aventurados aqueles que acreditam na pedra, na árvore, no animal, na natureza como repositório e manifestação do Universo porque deles não será o reino dos céus cujo espaço já está ocupado com imensas prateleiras cheias de Bíblias, Alcorãos e Torás.
É clarificador e tranquilizador esta visão parcial e discriminatória da Humanidade, esta visão objectiva, sem rodeios nem eufemismos da posição da Igreja. Mal aventurados os que acreditam em vários deuses e nas múltiplas e complexas manifestações do divino; mal aventurados aqueles que acreditam na pedra, na árvore, no animal, na natureza como repositório e manifestação do Universo porque deles não será o reino dos céus cujo espaço já está ocupado com imensas prateleiras cheias de Bíblias, Alcorãos e Torás.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Um ano
“A vida é como uma gota de orvalho na ponta de uma lamina de erva quando nasce o Sol” Visuddhi Magga
Este blog faz hoje um ano. Esta impermanência, este fogacho de letras e imagens, estas reflexões de um ocidental que, neste momento, não está à ilharga do Mar Arábico são um pedaço de vida bem mais pequeno que a tal gota de orvalho. Foi há poucos segundos que escrevi o primeiro texto. Continuo em peregrinação.
Este blog faz hoje um ano. Esta impermanência, este fogacho de letras e imagens, estas reflexões de um ocidental que, neste momento, não está à ilharga do Mar Arábico são um pedaço de vida bem mais pequeno que a tal gota de orvalho. Foi há poucos segundos que escrevi o primeiro texto. Continuo em peregrinação.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Yes we can't
Terminou a reunião de Copenhaga e chega a ser risível observar as caras consternadas dos líderes dos maiores países do Mundo. Todos eles afirmam que o “Acordo” ficou muito aquém do esperado. Mas afinal quem esteve naquela reunião? Afinal quem decidiu nada decidir? É óbvio que a finitude da vida humana e a ainda maior pequenez temporal dos cargos políticos, tolda a consciência planetária e não permite nenhum tipo de decisão global. Este facto coloca questões muito importantes ao cidadão do Mundo, à Comunidade Terra. Eu, um dos seis mil milhões, não quero ser dirigido por tal gente.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Luís Vaz
' Todo o Mundo é composto de mudança... Ninguém lê esta estrofe com quinhentos anos e ninguém a aplica. Já outros o disseram muitos séculos antes, outros o repetiram séculos depois mas não serve de nada. No campo da Educação os métodos, os processos de aprendizagem, a comunicação numa só direcção; o saber (matérias restritas) como forma de poder; o peso da Academia como oráculo indesmentível do conhecimento; a regra, a norma elevadas à categoria de critério universal e do qual depende a evolução das sociedades; a diferença e a rebeldia classificadas com uma etiqueta psico qualquer coisa e, se possível, drogadas com Ritalina ou semelhante para que tudo fique adormecido e calmo para o professor poder, enfim, explanar a sua sabedoria e, eventualmente, ser avaliado com um Bom+; a incapacidade dos professores em fazer brotar a criatividade; a incapacidade do sistema Escola/ensino em produzir alternativas equivalentes nos vários domínios dos saberes artísticos, conferindo-lhes igualdade de estatuto e de reconhecimento académico, tudo isto produz este Pais engravatado e castrador, frustrado e cinzento, infeliz e miserável mas olimpicamente corrupto, que esquece, educadamente que a mudança...toma sempre novas qualidades'
Etiquetas:
educação saberes
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Chocolate branco
Terão que concordar que 57% dos suíços não são racistas, apenas têm um muito apurado gosto arquitectónico. Todos sabemos que a imagem de um minarete recortado contra os Alpes é de um terrível mau gosto, apenas comparável ao de uma petite maison Suisse, recortada contra a serra da Lousã. A sombra de um minarete no Sol de Inverno, contamina a brancura imaculada de uma neve verdadeiramente suíça. Além disso, os suíços, com uma política de saúde muito desenvolvida querem impedir que os muezzins, ao subirem aos minaretes para anunciar a oração da tarde, apanhem um resfriado tipo gripe Al. Só temos que louvar esta preocupação tipicamente suíça com as comunidades islâmicas que habitam o seu território. Os detractores deste povo do relógio dizem que os suíços estão a retaliar por causa da quebra do segredo bancário no seu território enquanto que o sistema Hawala continua a prosperar nos países islâmicos. Em todo o caso, a partir de agora, vou passar a comer apenas chocolate branco, suíço, claro.
À tripa forra
Na Ordem dos Advogados o bastonário diz que não se pode gastar à tripa forra; o Sindicato dos Magistrados, (estrutura totalmente aberrante e inexplicável), quer que as escutas privadas sejam públicas; um alto militante do PSD que por acaso também é professor de direito, acha que o povo português não vai dormir descansado e vai ficar ainda mais deprimido, se não ouvir o que Sócrates disse a Vara; o chefe do Supremo mandou destruir as escutas por não conterem indícios mas ninguém liga nenhuma; o Procurador Geral desta República diz que será então num próximo Sábado, de vários Sábados que vai tomar uma posição; Jerónimo diz que é preciso guardar os CD para memória futura; os vários jornais desdobram-se em contactos anónimos para obterem alguns bytes da informação contida nas gravações; imprime-se papel à conta da informação que um amigo do amigo do amigo do amigo do porteiro diz que disse; os julgamentos dos processos de pedofilia já duram há 5 (cinco) anos; o processo Face Oculta irá durar (é um palpite) dez anos até a sucata enferrujar completamente; o marido macho mata a mulher e um GNR “por amor”; D. Sebastião não chegou na mais recente manhã de nevoeiro; Portugal não ganhou o Euromilhões; já nem falo da crise; decorre a Cimeira Ibero-americana sobre inovação e conhecimento ... MAIS INOVAÇÃO???
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Manoj Pandey
O brâmane Manoj Pandey nasceu em Bombaim e emigrou ainda jovem para Varanasi. Sendo esta cidade frequentada por uma grande população de estudantes estrangeiros que aqui passam alguns anos na produção de mestrados e doutoramentos, Manoj viu, no imobiliário, a sua grande oportunidade. Decidiu remodelar o prédio do qual era proprietário e adaptá-lo ao gosto ocidental mantendo, no entanto, a estrutura arquitectónica indiana e a sabedoria dos artesãos do sítio. As famosas e muito higiénicas “retretes turcas” foram substituídas por sanitas ao gosto ocidental com grande festa dos operários da obra; janelas com rede mosquiteira, outra inovação cuja notícia correu o bairro; peças de mármore de gosto duvidoso, posteriormente corrigido, para os tampos dos balcões da cozinha; chão de mármore, lindíssimo polido à mão; cama fabricada no lugar por uma equipa de carpinteiros com berbequim manual e ferramentas com o melhor design industrial — torneados doces para noites quentes; pintura a cal branca, azulada, fresca, transparente; luzes gigantes de néon, a morada das duas osgas permanentes — a Eulália e a Nazaré; estantes de alvenaria feitas nas paredes à moda indiana e espaço, espaço, espaço. Este apartamento completo e alugado, Manoj decidiu continuar as remodelações que se arrastaram durante anos porque ele nunca conseguia ficar em paz com as soluções encontradas. Cada vez que vagava um apartamento, Manoj iniciava obras de remodelação para o tornar mais moderno, mais ousado, sempre na vanguarda. Ao mesmo tempo, na entrada do prédio, Manoj inaugurou a primeira loja de telecomunicações do bairro — telefonemas e faxes nacionais e internacionais com facturação automática, via satélite. Tempos depois, noutra dependência, abriu uma loja de sedas que geria com o irmão e a família. Estes negócios eram dirigidos da sua cadeira preferida colocada no pátio de onde emitia ordens e instruções sobre todas as matérias relativas à construção civil, à electrónica ou à fluidez da seda de Banaras mas, não se pense, que Manoj é deficiente. Da sua cadeira encomendava pan, chá, whisky, iogurte, kachauris e outros fritos picantes, instruía os filhos sobre a escola, indicava à sua mulher Usha o que devia fazer para o jantar, dava palestras sobre politica nacional, fazia reuniões com jovens nacionalistas hindus, enxotava os macacos, chamava os riquechós, jogava Karam, fumava, lia as linhas da mão. Manoj tinha uma voz gutural, enrolada e potente. Sem esforço, comandava e ainda comanda o seu pequeno mundo em Bhelupura, Varanasi, Índia.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Rama nama satya hé

“Primeiro o vazio;
Segundo a semente;
Terceiro a emanação da imagem;
Quarto a articulação da sílaba;
Quinto a plenitude do vazio.”
Hevajra Tantra
Rama nama satya hé.
Este mantra – o nome de Deus é verdade -
ouve-se frequentemente nas ruas de Banaras e
acompanha os defuntos até ao rio Ganges
onde são imersos antes da cremação.
Este mantra – o nome de Deus é verdade -
ouve-se frequentemente nas ruas de Banaras e
acompanha os defuntos até ao rio Ganges
onde são imersos antes da cremação.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Um desafio para cinco revelações
Este desafio enviado por Ana Paula Fitas do A Nossa Candeia consiste em os bloggers que o queiram aceitar, procedam da seguinte forma:
1 - Seguir as Regras;
2 - Colocar o selo no início da mensagem que indica quem está, quem esteve, ou estará na brincadeira;
3 - Completar as 5 frases seguintes:
Eu já tive... gripe asiática;
Eu nunca... me vacinei contra as várias mutações do Poder;
Eu sei... que gostava de entender o pré Big Bang e o pós 25 de Abril;
Eu quero... silêncio mesmo dentro do ruído;
Eu sonho... que é fixe haver aviões.
sábado, 21 de novembro de 2009
Paciência
Contribuição ainda que tardia para o tema da tolerância colocado oportunamente pelo A Nossa Candeia. É uma tradução livre de um excerto do livro Meditation in Action do Mestre Tibetano Chögyam Trungpa.
— ...Quem desenvolve competências para ser paciente, não espera nada de ninguém, não porque não confie mas porque sabe como estar no centro. Assim, para obter o silêncio, não enxota os pássaros que fazem barulho. Para ficar quieto, não para o movimento do ar ou do rio mas aceita-os e, assim, fica consciente do silêncio. Aceita-os como parte do processo para chegar ao silêncio. Portanto, o aspecto mental do ruído dos pássaros afecta a sua psicologia. Por outras palavras o ruído dos pássaros é um dos factores, a nossa concepção psicológica do ruído é outro. Quando se consegue lidar com esse lado, o ruído dos pássaros torna-se silêncio audível. Deste modo não se deve esperar nada do exterior, não se deve tentar mudar a outra pessoa ou as suas opiniões. Não se deve tentar convencer ninguém numa altura não apropriada, quando as opiniões do outro estão fortemente consolidadas, quando as nossas palavras não conseguem penetrar. Como exemplo há o das duas pessoas que caminham ao longo de uma estrada pedregosa. Uma delas diz que seria muito bom se a estrada fosse toda revestida de couro e assim seria fácil a caminhada. A outra, pelo contrário, acha que bastaria proteger os pés com couro para que o efeito fosse o mesmo. Isto é a paciência; não se trata de não ter confiança mas sim de não esperar nada exterior a nós e não tentar mudar a situação fora de nós. Esta é a única maneira de criar paz no Mundo. Se nós próprios estamos dispostos a fazer isso no nosso íntimo então alguém mais o fará e, certamente, mais cem o farão... —
— ...Quem desenvolve competências para ser paciente, não espera nada de ninguém, não porque não confie mas porque sabe como estar no centro. Assim, para obter o silêncio, não enxota os pássaros que fazem barulho. Para ficar quieto, não para o movimento do ar ou do rio mas aceita-os e, assim, fica consciente do silêncio. Aceita-os como parte do processo para chegar ao silêncio. Portanto, o aspecto mental do ruído dos pássaros afecta a sua psicologia. Por outras palavras o ruído dos pássaros é um dos factores, a nossa concepção psicológica do ruído é outro. Quando se consegue lidar com esse lado, o ruído dos pássaros torna-se silêncio audível. Deste modo não se deve esperar nada do exterior, não se deve tentar mudar a outra pessoa ou as suas opiniões. Não se deve tentar convencer ninguém numa altura não apropriada, quando as opiniões do outro estão fortemente consolidadas, quando as nossas palavras não conseguem penetrar. Como exemplo há o das duas pessoas que caminham ao longo de uma estrada pedregosa. Uma delas diz que seria muito bom se a estrada fosse toda revestida de couro e assim seria fácil a caminhada. A outra, pelo contrário, acha que bastaria proteger os pés com couro para que o efeito fosse o mesmo. Isto é a paciência; não se trata de não ter confiança mas sim de não esperar nada exterior a nós e não tentar mudar a situação fora de nós. Esta é a única maneira de criar paz no Mundo. Se nós próprios estamos dispostos a fazer isso no nosso íntimo então alguém mais o fará e, certamente, mais cem o farão... —
O Povo em três capítulos — Capítulo III
Coube ao agente SCUD a tarefa mais espinhosa: o povo da estrada.
Para analisar o povo da estrada é preciso andar na estrada e, para isso, comprar um carro. E aqui começa a saga: que carro comprar? São todos oferecidos. Alguns só se começam a pagar 5 anos depois. Os juros são transformados em viagens aos trópicos, relógios ou langerie. O agente SCUD estava confuso e a sua primeira conclusão foi que, neste país, só não tem carro quem não quer porque tudo são facilidades e os vendedores até têm alguma relutância em aceitar o nosso dinheiro. Mas, finalmente, e com o acordo da sede, lá se decidiu adquirir um Tuga RVSX500TDPLUS+SPORT carro relativamente económico, pagável em 500 meses, com o IVA convertível em acções do Tesouro. A única desvantagem eram os extras: pneus, bateria e carburador tinham que ser pagos à parte e a pronto. Mas enfim, a sede lá desbloqueou algumas verbas da venda de património militar e tudo se compôs.
Numa bela manhã o conjunto SCUD - Tuga RVSX500TDPLUS+SPORT, fez-se à estrada.
O agente SCUD ligou o rádio e começou a gravar, para análise futura, o programa sobre o trânsito. Espantado percebeu que aquela linguagem cifrada era seguramente proveniente dos serviços de contra espionagem do país para lhe dificultar a tarefa. Gravou o programa para ouvir numa reunião, que imediatamente marcou com os seus colegas MOT e ACUT, deixando para tal uma mensagem numa estação de serviço junto à bomba do gasóleo EcoPlusMaisMais, conforme previamente acordado. Ainda não seria hoje que a estrada o embalaria, resmungou contristado o agente SCUD.
Extracto da gravação efectuada nesse dia:”...da a4 para a a5, da vci para a crel, da crel para o ic8 e do ic8 para o ip5, do ip5 para a cril, da cril para o túnel do grilo onde há nevoeiro. A Norte da ic19 para a 25 de Abril, de Bartolomeu Dias para a Vasco da Gama, da Vasco da Gama para a a1...
Os 3 agentes ouviram repetidamente esta gravação, de trás para a frente, da frente para trás, em baixa velocidade, com eco, sem eco e nada. Pensaram para si que este país tem uma contra espionagem que alto lá com ela! Prolongado silêncio quebrado pelo agente SCUD que disse que o melhor era mandar a gravação codificada pelos canais apropriados e esperar uma decifração. Até lá, este agente, limitar-se-ia a circular nas auto estradas não se arriscando a frequentar outras vias por demasiado perigosas e, seguramente, vigiadas. Despediram-se com o compromisso de não se voltarem a reunir por ser demasiado perigoso e podendo pôr em risco a missão.
Algumas notas de asfalto do agente SCUD:
O povo da estrada não estaciona, pousa delicadamente os automóveis em cima do passeio.
O povo da estrada cruza as passadeiras depressa pedindo desculpa aos peões assustados. O povo da estrada é delicado.
O povo da estrada não apita, usa o claxon às 4 da manhã para o amigo vir à janela ver o último modelo de telemóvel. O povo da estrada não gosta de passar à frente de ninguém por isso fica numa fila interminável quando pode fazer duas. É também por isso que o povo da estrada não gosta da Via Verde mas ocupa essa via porque gosta de partilhar o tempo de espera.
O povo da estrada gosta de se colar à traseira do automóvel da frente. É um modo envergonhado de expressar os seus apetites sexuais.
O povo da estrada é lascivo mas tímido.
O povo da auto-estrada, obedecendo escrupulosamente ao conceito de prioridade à direita, anda na faixa da esquerda mais lentamente.
O povo da estrada conhece e cumpre o código.
O povo da estrada não usa os piscas para poupar energia que tanto dinheiro custa ao país. O povo da estrada adora parar intempestivamente de qualquer maneira e em qualquer lugar para comprar melões e cebolas mais caros do que os que se vendem na sua rua.
É uma maneira discreta e sábia de ajudar a PAC e de testar a atenção de quem vem atrás.
O povo da estrada não gosta de morrer em casa, isso é para maricas, mas sim com as trombas no airbag, o pé no ABS e a mão no telemóvel.
O povo da estrada é muito comunicativo.
O agente SCUD releu pela quinta vez a missiva codificada proveniente dos seu serviços:
“Vasco da Gama e 25 de Abril sabemos o significado embora aqui não se aplique. As restantes palavras armadilhadas permanecem desconhecidas e perigosas. Abortar missão”
E foi assim que, por motivos de ordem técnica, os 3 agentes foram forçados a regressar ao seu país.
Que me desculpem os meus amigos que apanham a azeitona que vão à cortiça e que plantam as abóboras mais lindas do Mundo. Cerca de 70% da nossa população vive nas cidades. Havia um quarto agente, confesso, o agente Orvalho mas, apaixonou-se pelo campo e desapareceu nas neblinas, por isso não temos o seu relatório.
FIM
Para analisar o povo da estrada é preciso andar na estrada e, para isso, comprar um carro. E aqui começa a saga: que carro comprar? São todos oferecidos. Alguns só se começam a pagar 5 anos depois. Os juros são transformados em viagens aos trópicos, relógios ou langerie. O agente SCUD estava confuso e a sua primeira conclusão foi que, neste país, só não tem carro quem não quer porque tudo são facilidades e os vendedores até têm alguma relutância em aceitar o nosso dinheiro. Mas, finalmente, e com o acordo da sede, lá se decidiu adquirir um Tuga RVSX500TDPLUS+SPORT carro relativamente económico, pagável em 500 meses, com o IVA convertível em acções do Tesouro. A única desvantagem eram os extras: pneus, bateria e carburador tinham que ser pagos à parte e a pronto. Mas enfim, a sede lá desbloqueou algumas verbas da venda de património militar e tudo se compôs.
Numa bela manhã o conjunto SCUD - Tuga RVSX500TDPLUS+SPORT, fez-se à estrada.
O agente SCUD ligou o rádio e começou a gravar, para análise futura, o programa sobre o trânsito. Espantado percebeu que aquela linguagem cifrada era seguramente proveniente dos serviços de contra espionagem do país para lhe dificultar a tarefa. Gravou o programa para ouvir numa reunião, que imediatamente marcou com os seus colegas MOT e ACUT, deixando para tal uma mensagem numa estação de serviço junto à bomba do gasóleo EcoPlusMaisMais, conforme previamente acordado. Ainda não seria hoje que a estrada o embalaria, resmungou contristado o agente SCUD.
Extracto da gravação efectuada nesse dia:”...da a4 para a a5, da vci para a crel, da crel para o ic8 e do ic8 para o ip5, do ip5 para a cril, da cril para o túnel do grilo onde há nevoeiro. A Norte da ic19 para a 25 de Abril, de Bartolomeu Dias para a Vasco da Gama, da Vasco da Gama para a a1...
Os 3 agentes ouviram repetidamente esta gravação, de trás para a frente, da frente para trás, em baixa velocidade, com eco, sem eco e nada. Pensaram para si que este país tem uma contra espionagem que alto lá com ela! Prolongado silêncio quebrado pelo agente SCUD que disse que o melhor era mandar a gravação codificada pelos canais apropriados e esperar uma decifração. Até lá, este agente, limitar-se-ia a circular nas auto estradas não se arriscando a frequentar outras vias por demasiado perigosas e, seguramente, vigiadas. Despediram-se com o compromisso de não se voltarem a reunir por ser demasiado perigoso e podendo pôr em risco a missão.
Algumas notas de asfalto do agente SCUD:
O povo da estrada não estaciona, pousa delicadamente os automóveis em cima do passeio.
O povo da estrada cruza as passadeiras depressa pedindo desculpa aos peões assustados. O povo da estrada é delicado.
O povo da estrada não apita, usa o claxon às 4 da manhã para o amigo vir à janela ver o último modelo de telemóvel. O povo da estrada não gosta de passar à frente de ninguém por isso fica numa fila interminável quando pode fazer duas. É também por isso que o povo da estrada não gosta da Via Verde mas ocupa essa via porque gosta de partilhar o tempo de espera.
O povo da estrada gosta de se colar à traseira do automóvel da frente. É um modo envergonhado de expressar os seus apetites sexuais.
O povo da estrada é lascivo mas tímido.
O povo da auto-estrada, obedecendo escrupulosamente ao conceito de prioridade à direita, anda na faixa da esquerda mais lentamente.
O povo da estrada conhece e cumpre o código.
O povo da estrada não usa os piscas para poupar energia que tanto dinheiro custa ao país. O povo da estrada adora parar intempestivamente de qualquer maneira e em qualquer lugar para comprar melões e cebolas mais caros do que os que se vendem na sua rua.
É uma maneira discreta e sábia de ajudar a PAC e de testar a atenção de quem vem atrás.
O povo da estrada não gosta de morrer em casa, isso é para maricas, mas sim com as trombas no airbag, o pé no ABS e a mão no telemóvel.
O povo da estrada é muito comunicativo.
O agente SCUD releu pela quinta vez a missiva codificada proveniente dos seu serviços:
“Vasco da Gama e 25 de Abril sabemos o significado embora aqui não se aplique. As restantes palavras armadilhadas permanecem desconhecidas e perigosas. Abortar missão”
E foi assim que, por motivos de ordem técnica, os 3 agentes foram forçados a regressar ao seu país.
Que me desculpem os meus amigos que apanham a azeitona que vão à cortiça e que plantam as abóboras mais lindas do Mundo. Cerca de 70% da nossa população vive nas cidades. Havia um quarto agente, confesso, o agente Orvalho mas, apaixonou-se pelo campo e desapareceu nas neblinas, por isso não temos o seu relatório.
FIM
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
O Povo em três capítulos — Capítulo II
O agente Por Motivos de Ordem Técnica (a partir de agora MOT), começou por procurar casa junto de uma estação de Metro. Não foi fácil mas lá conseguiu arranjar um pequeno duas assoalhadas próximo da estação de Amadora Este Colégio Militar Luz. Pré comprou bilhetes, recargas de passe, uma mochila e preparou-se para passar claustrofóbicos dias. Habitualmente era agente de superfície mas esta missão subterrânea ia permitir-lhe uma promoção e, por isso, valia a pena o sacrifício. Começou por estudar as horas de ponta e os fluxos humanos na estação do Marquês de Pombal. Fotografou, entrevistou, analisou, anotou, fez desenhos esquemáticos, diagramas que enviou para a sede. Esperou o correio diplomático com algumas indicações rigorosas para poder operar no terreno com alguma base teórica. No fim do segundo mês, recebeu dois relatórios codificados provenientes de duas das mais famosas universidades do seu país. A conclusão era unânime: apenas a teoria do caos explicava, ainda que incompletamente, o movimento de passageiros e o desenho da estação do Marquês. Era, segundo os peritos, uma obra muito avançada e seriam precisos alguns anos de investigação no domínio da física quântica para encontrar um modelo plausível e compreensível para aquele projecto. Até lá o agente deveria fazer investigação menos fundamental e percorrer as várias estações de modo a obter dados para conclusões mais mensuráveis. Assim fez MOT e foram estas as suas conclusões:
O povo do metro caracteriza-se pela sua postura parada e meditativa do lado de fora e do lado de dentro das carruagens onde constitui uma barreira intransponível de energia primitiva. O povo do metro não se mexe, desloca-se parado, a carruagem que se mexa. Assim sendo não faz mais que seguir as mensagens publicitárias – nós levamo-lo a todo o lado. O agente MOT, por várias vezes, não conseguiu descer na estação onde queria porque um muro da tal energia primitiva, impedia de o fazer e, não querendo ser mal educado empurrando blocos de pensamento profundo, preferiu descer na seguinte o que, diga-se de passagem, prejudicou o seu estudo. O povo do metro lê o Metro o que dá uma grande unidade de estilo neste mundo subterrâneo e torna profundas as referências superficiais. O povo do metro, quando tem espaço, o que vai sendo cada vez mais difícil, gosta de estender o sapato para o banco da frente, introduzindo deste modo um cromatismo mais viscoso e orgânico nos tecidos industriais e pouco amigáveis dos bancos. São pequenas performances sempre agradáveis, sempre de vanguarda. O povo do metro é artista. O agente MOT fotografou vários conjuntos pictóricos murais grafitados de profundo significado artísticósemânticósimbólico. Alguns destes exemplos ilustram a capa do seu relatório de investigação e já circulam na Net, ainda que contra a sua vontade. Destaco dois: “esta é a minha assinatura fo...-se” e, “esta é a minha outra assinatura fo...-se”. Os outros podem ser pesquisados em www.fabioamavanessa.org. Nas centenas de viagens que o agente MOT realizou, observou a grande preocupação que o outro povo do metro tem com as escadas e tapetes rolantes. Para não se avariarem estão sempre a ser reparados o que prova o respeito deste povo pela conservação das suas coisas. Para o estudo do agente MOT, este facto, prejudicou-o porque assim não foi possível tirar grandes conclusões sobre o funcionamento destes equipamentos. Observou ainda aquilo a que chamou sinergia construtiva e que consiste no aproveitamento de muitos corredores de acesso às estações para testes de aerodinâmica. As companhias aéreas e os construtores de automóveis do país instalam aí os seus produtos para medir as turbulências causadas pelos túneis de vento e fazerem testes científicos de resistência de materiais, tal é a corrente de ar nos locais. Uma outra coisa que animou o agente MOT neste estudo foi o facto de haver música em todas as estações. E à medida que as carruagens se aproximam, música cada vez mais alta...eles pensam em tudo concluiu o agente. No seu país a defesa do silêncio é uma política de estado, transformando as casas, as ruas, os transportes em algo sem interesse parecido com bibliotecas. O capítulo final do relatório do agente MOT, recebeu os mais rasgados elogios da sua hierarquia pela sagacidade, sensatez, profundidade e pontes para o futuro que a sua análise revelou. Refere-se ele ao desenho da rede metro e ao facto de esta rede não comunicar com o aeroporto na cidade capital do país. Segundo as conclusões do agente MOT, ligar o metro com o terminal de aviões revela-se nefasto e desaconselhável. Quando assim acontece, caso das outras capitais europeias, o risco de atentados aumenta exponencialmente; os passageiros que vêm do ar, sujeitos a uma determinada pressão atmosférica quando encaixados em carruagens subterrâneas podem sofrer embolias, sendo que o contrário é igualmente verificável; a corporação taxiaeroporto, SASR (sociedade anónima sem responsabilidade), iria à falência, aumentando o desemprego e a crise; ir do aeroporto à baixa de Lisboa não passando por Cascais revelaria falta de visão turística e, como tal, nacional. Assim concluiu e bem, o agente MOT.
O povo do metro caracteriza-se pela sua postura parada e meditativa do lado de fora e do lado de dentro das carruagens onde constitui uma barreira intransponível de energia primitiva. O povo do metro não se mexe, desloca-se parado, a carruagem que se mexa. Assim sendo não faz mais que seguir as mensagens publicitárias – nós levamo-lo a todo o lado. O agente MOT, por várias vezes, não conseguiu descer na estação onde queria porque um muro da tal energia primitiva, impedia de o fazer e, não querendo ser mal educado empurrando blocos de pensamento profundo, preferiu descer na seguinte o que, diga-se de passagem, prejudicou o seu estudo. O povo do metro lê o Metro o que dá uma grande unidade de estilo neste mundo subterrâneo e torna profundas as referências superficiais. O povo do metro, quando tem espaço, o que vai sendo cada vez mais difícil, gosta de estender o sapato para o banco da frente, introduzindo deste modo um cromatismo mais viscoso e orgânico nos tecidos industriais e pouco amigáveis dos bancos. São pequenas performances sempre agradáveis, sempre de vanguarda. O povo do metro é artista. O agente MOT fotografou vários conjuntos pictóricos murais grafitados de profundo significado artísticósemânticósimbólico. Alguns destes exemplos ilustram a capa do seu relatório de investigação e já circulam na Net, ainda que contra a sua vontade. Destaco dois: “esta é a minha assinatura fo...-se” e, “esta é a minha outra assinatura fo...-se”. Os outros podem ser pesquisados em www.fabioamavanessa.org. Nas centenas de viagens que o agente MOT realizou, observou a grande preocupação que o outro povo do metro tem com as escadas e tapetes rolantes. Para não se avariarem estão sempre a ser reparados o que prova o respeito deste povo pela conservação das suas coisas. Para o estudo do agente MOT, este facto, prejudicou-o porque assim não foi possível tirar grandes conclusões sobre o funcionamento destes equipamentos. Observou ainda aquilo a que chamou sinergia construtiva e que consiste no aproveitamento de muitos corredores de acesso às estações para testes de aerodinâmica. As companhias aéreas e os construtores de automóveis do país instalam aí os seus produtos para medir as turbulências causadas pelos túneis de vento e fazerem testes científicos de resistência de materiais, tal é a corrente de ar nos locais. Uma outra coisa que animou o agente MOT neste estudo foi o facto de haver música em todas as estações. E à medida que as carruagens se aproximam, música cada vez mais alta...eles pensam em tudo concluiu o agente. No seu país a defesa do silêncio é uma política de estado, transformando as casas, as ruas, os transportes em algo sem interesse parecido com bibliotecas. O capítulo final do relatório do agente MOT, recebeu os mais rasgados elogios da sua hierarquia pela sagacidade, sensatez, profundidade e pontes para o futuro que a sua análise revelou. Refere-se ele ao desenho da rede metro e ao facto de esta rede não comunicar com o aeroporto na cidade capital do país. Segundo as conclusões do agente MOT, ligar o metro com o terminal de aviões revela-se nefasto e desaconselhável. Quando assim acontece, caso das outras capitais europeias, o risco de atentados aumenta exponencialmente; os passageiros que vêm do ar, sujeitos a uma determinada pressão atmosférica quando encaixados em carruagens subterrâneas podem sofrer embolias, sendo que o contrário é igualmente verificável; a corporação taxiaeroporto, SASR (sociedade anónima sem responsabilidade), iria à falência, aumentando o desemprego e a crise; ir do aeroporto à baixa de Lisboa não passando por Cascais revelaria falta de visão turística e, como tal, nacional. Assim concluiu e bem, o agente MOT.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Digam-me como se faz
O desemprego está nos 10%. Oiço todos os dias grandes tiradas político-ideológicas sobre esta questão. Digam-me como se faz. Insto os partidos PSD, PC, Bloco e CDS, porque são estes os grandes paladinos de soluções e porque é o PS que está no Governo. Se fosse outra a composição do leque político a minha pergunta seria rigorosamente a mesma: digam-me como se faz. Mas digam-me objectivamente, tipo 3 medidas que diminuam o desemprego para 7% em três meses. Digam-me como se eu tivesse onze anos. Vão tomar de assalto os empresários e obriga-los a fazer empresas na meia hora e contratar muitos trabalhadores?
Vão fretar navios armados e descarregar produtos de fabrico nacional na China, na Índia, na África com protecção da ONU, para aumentar as exportações rapidamente?
Vão sequestrar as multinacionais e obriga-las a produzir não só automóveis mas também pasta de dentes, detergentes, gestores, tudo isto empregando 30% dos desempregados de cada Centro de Emprego?
Vão fundar centenas de micro-nano-pequenas empresas para produzirem, por exemplo, coreografias para as festas autárquicas? Sei lá!
Digam-me como se faz que eu sou um cidadão estúpido, ainda mais estúpido por ser de esquerda. Tenho verdadeiras lacunas na teoria económica e não entendo esta cena da globalização. Mas digam-me como se faz, façam-me feliz e dêem emprego a 200.000 portugueses antes da Primavera. Vá lá senhores sejam os verdadeiros messias universais!
Ensinem todos esses políticos da treta que vemos na televisão tipo Obama, Merkl, Sarkozy (que horror!!!), sim ensinem-nos como o Portuga tem sempre soluções. Mundo, be cool... o Portuga resolve, Portugal will get you a job.
Vão fretar navios armados e descarregar produtos de fabrico nacional na China, na Índia, na África com protecção da ONU, para aumentar as exportações rapidamente?
Vão sequestrar as multinacionais e obriga-las a produzir não só automóveis mas também pasta de dentes, detergentes, gestores, tudo isto empregando 30% dos desempregados de cada Centro de Emprego?
Vão fundar centenas de micro-nano-pequenas empresas para produzirem, por exemplo, coreografias para as festas autárquicas? Sei lá!
Digam-me como se faz que eu sou um cidadão estúpido, ainda mais estúpido por ser de esquerda. Tenho verdadeiras lacunas na teoria económica e não entendo esta cena da globalização. Mas digam-me como se faz, façam-me feliz e dêem emprego a 200.000 portugueses antes da Primavera. Vá lá senhores sejam os verdadeiros messias universais!
Ensinem todos esses políticos da treta que vemos na televisão tipo Obama, Merkl, Sarkozy (que horror!!!), sim ensinem-nos como o Portuga tem sempre soluções. Mundo, be cool... o Portuga resolve, Portugal will get you a job.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
O Povo em três capítulos — Capítulo I
A República Democrática Democrática da Transkasakávia (de notar que isto se passa após a queda da Grande Muralha), decidiu enviar espiões para várias partes do Mundo com o objectivo de diagnosticar culturas, sociedades, economias, modos de estar e pensar. Pretendia-se uma fotografia clara dos contextos geopolíticos que pudesse informar os decisores com objectividade e segurança. Assim foi feito no maior dos segredos como é usual nestas actividades.
A estes agentes apenas interessava a Europa sem estrelas, isto é, a Europa antropológica, residual e profunda que mantinha intactas as características socioculturais apesar da globalização. Por isso para a Europa do Sul, designada Unitat Lusos, foram enviados 3 agentes todos eles conhecedores profundos das línguas e literaturas regionais. Faltava-lhes, no entanto, um conhecimento mais próximo do real que esperavam não ser limitador da operação a que se propunham.
Viajaram separadamente e combinaram encontrar-se no Chiado Lissabon onde lhes seriam distribuídos os envelopes com as respectivas missões. Foi isto feito à mesa com Fernando Pessoa e galão, numa tarde de Sol frio de Novembro com cheiro a petróleo de castanhas assadas no ar o que muito os espantou e tomaram as primeiras notas de campo. Os envelopes apontavam os alvos: povo da bola, povo do metro e o povo da estrada.
Ao agente Acutilante (nome fictício) foi atribuída a análise do povo da bola.
Ao agente Por Motivos de Ordem Técnica (outro nome fictício), a compreensão e estudo do povo do metro.
Ao agente SCUD (ainda outro nome fictício), a descodificação alargada do povo da estrada.
O agente Acutilante (a partir de agora ACUT), perante esta importante missão, procurou preparar-se o melhor possível como era aliás seu costume. Assim sendo, comprou durante algum tempo os 3 jornais desportivos diários para se inteirar do dialecto futebolês. Isto causou-lhe algum desequilíbrio orçamental a par de um domínio notável de uma nova e esotérica terminologia. Os seus relatórios para a casa-mãe simultaneamente encantavam e deixavam perplexo o seu supervisor por uma tão cerrada, agreste, pressionante e tacticamente perfeita organização. ACUT no terreno tinha sempre dúvidas sobre que camisola e cachecol comprar, a que Banco fazer publicidade, qual a melhor atitude de marketing naquele contexto. Fora isso, a integração era perfeita e nenhuma claque jamais viu nele um espião a soldo de uma potência estrangeira. O seu relatório final é de uma clareza meridiana e de uma racionalidade irrepreensível. Passou a integrar, como objecto de estudo, o Manual do Espião Democrático Democrático. Vejamos:
O povo da bola não compra jornais mas lê o Oje, o Metro e, Globalmente, o do parceiro.
O povo da bola abstêm-se nas eleições e nos referendos mas cospe para o chão.
O povo da bola compra bandeiras pátrias com pagodes chineses e veste verde rubro em nádegas gordas.
O povo da bola tem palavrão fácil e racista contra os adversários.
O povo da bola é fanático e histérico na impertinente buzinadela, prolongando o pénis sem condom na mais alta taxa de progressão da Sida na Europa.
O povo da bola anda distraído e infantil com a bola.
O povo da bola enche os estádios mas não os teatros.
O povo da bola só tem a bola para se agarrar como um guarda-redes de uma pátria em decadência.
O povo da bola adora as fintas das vedetas como se fossem suas e protagoniza-se nas câmaras de TV em puro estado de choque mas com lenço na cabeça e gesso no calcanhar.
No dia anterior o povo da bola não trabalha, analisa e comenta.
No dia seguinte o povo da bola não trabalha, comenta e analisa.
O povo da bola organiza-se em gangues e conquista campos de batalha nas cidades.
Brigadas especiais da Câmara Municipal, recolhem o lixo da noite, outras brigadas especiais reparam os estragos.
O povo da bola levanta-se mais tarde porque ficou tonto de tantas voltas ao Marquês de Pombal.
A estes agentes apenas interessava a Europa sem estrelas, isto é, a Europa antropológica, residual e profunda que mantinha intactas as características socioculturais apesar da globalização. Por isso para a Europa do Sul, designada Unitat Lusos, foram enviados 3 agentes todos eles conhecedores profundos das línguas e literaturas regionais. Faltava-lhes, no entanto, um conhecimento mais próximo do real que esperavam não ser limitador da operação a que se propunham.
Viajaram separadamente e combinaram encontrar-se no Chiado Lissabon onde lhes seriam distribuídos os envelopes com as respectivas missões. Foi isto feito à mesa com Fernando Pessoa e galão, numa tarde de Sol frio de Novembro com cheiro a petróleo de castanhas assadas no ar o que muito os espantou e tomaram as primeiras notas de campo. Os envelopes apontavam os alvos: povo da bola, povo do metro e o povo da estrada.
Ao agente Acutilante (nome fictício) foi atribuída a análise do povo da bola.
Ao agente Por Motivos de Ordem Técnica (outro nome fictício), a compreensão e estudo do povo do metro.
Ao agente SCUD (ainda outro nome fictício), a descodificação alargada do povo da estrada.
O agente Acutilante (a partir de agora ACUT), perante esta importante missão, procurou preparar-se o melhor possível como era aliás seu costume. Assim sendo, comprou durante algum tempo os 3 jornais desportivos diários para se inteirar do dialecto futebolês. Isto causou-lhe algum desequilíbrio orçamental a par de um domínio notável de uma nova e esotérica terminologia. Os seus relatórios para a casa-mãe simultaneamente encantavam e deixavam perplexo o seu supervisor por uma tão cerrada, agreste, pressionante e tacticamente perfeita organização. ACUT no terreno tinha sempre dúvidas sobre que camisola e cachecol comprar, a que Banco fazer publicidade, qual a melhor atitude de marketing naquele contexto. Fora isso, a integração era perfeita e nenhuma claque jamais viu nele um espião a soldo de uma potência estrangeira. O seu relatório final é de uma clareza meridiana e de uma racionalidade irrepreensível. Passou a integrar, como objecto de estudo, o Manual do Espião Democrático Democrático. Vejamos:
O povo da bola não compra jornais mas lê o Oje, o Metro e, Globalmente, o do parceiro.
O povo da bola abstêm-se nas eleições e nos referendos mas cospe para o chão.
O povo da bola compra bandeiras pátrias com pagodes chineses e veste verde rubro em nádegas gordas.
O povo da bola tem palavrão fácil e racista contra os adversários.
O povo da bola é fanático e histérico na impertinente buzinadela, prolongando o pénis sem condom na mais alta taxa de progressão da Sida na Europa.
O povo da bola anda distraído e infantil com a bola.
O povo da bola enche os estádios mas não os teatros.
O povo da bola só tem a bola para se agarrar como um guarda-redes de uma pátria em decadência.
O povo da bola adora as fintas das vedetas como se fossem suas e protagoniza-se nas câmaras de TV em puro estado de choque mas com lenço na cabeça e gesso no calcanhar.
No dia anterior o povo da bola não trabalha, analisa e comenta.
No dia seguinte o povo da bola não trabalha, comenta e analisa.
O povo da bola organiza-se em gangues e conquista campos de batalha nas cidades.
Brigadas especiais da Câmara Municipal, recolhem o lixo da noite, outras brigadas especiais reparam os estragos.
O povo da bola levanta-se mais tarde porque ficou tonto de tantas voltas ao Marquês de Pombal.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Ciclone dos Açores
Acabo de ouvir na rádio uma curiosa notícia: Governo Regional dos Açores retido três dias no Corvo devido ao mau tempo. Com este argumento o que não fariam em Hollywood ou Bollywood. Imagino as conversas à beira do extinto vulcão com os corvinos, a troca de opiniões, as decisões difíceis, as promessas. Tempos de crise estes em que até os Governos se deslocalizam para exercer a tão falada política de proximidade. Nem o anti-ciclone resistiu e foi substituído por, elas também deslocalizadas das Caraíbas, nuvens verticais que assolaram a piedosa intenção de reunir naquela ilha longínqua. Nos mares dos Açores há a actividade de observação de baleias. Suspeito que já se estejam a formar empresas na hora para observar o Governo Regional a reunir nas ilhas mais afastadas.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
O pensamento civilizado
De Claude Lévi-Strauss guardo um conjunto de leituras que me ajudou a entender melhor o outro homem que é uma parte de nós que não conseguimos (queremos?) perceber. Guardo, sobretudo, o entendimento do devir do Mundo e das coisas, da plasticidade do homem. Quando perguntado numa entrevista qual, estando rodeado de tantos objectos, seria para ele o mais importante ou do qual gostaria mais, Lévi-Strauss pergunta: mas a que hora do dia, com que luz, com que disposição estaria, em que sítio? Veja aqui alguns desses objectos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






















